Novo método ajuda a identificar regiões ativas no lado oculto do Sol
Cientistas desenvolveram um método para melhorar a identificação de regiões ativas no lado do Sol que não está visível da Terra. A técnica analisa sinais de ondas que atravessam o interior solar e ajuda a separar possíveis regiões reais de sinais enganosos.
O estudo, liderado por pesquisadores do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos, pode contribuir para mapas mais completos do campo magnético solar. Esses mapas são importantes para compreender a atividade do Sol e, no futuro, aprimorar modelos de previsão do clima espacial.
Imagem do Sol obtida pelo Observatório de Dinâmica Solar, da NASA. Ela ilustra a atividade solar e não mostra diretamente o lado oculto do Sol. Crédito: NASA/GSFC/Observatório de Dinâmica Solar.
Por que observar o lado oculto?
Em qualquer momento, vemos da Terra apenas parte da superfície solar. Como o Sol gira em torno de seu eixo, regiões que estavam fora de vista podem aparecer dias depois. Durante esse intervalo, áreas de intensa atividade magnética podem surgir ou se modificar.
Essas áreas, chamadas regiões ativas, costumam estar associadas a manchas solares e podem produzir erupções ou ejeções de massa coronal — grandes liberações de partículas e campo magnético para o espaço.
Quando uma dessas perturbações é direcionada à Terra e interage com o ambiente do nosso planeta, pode afetar satélites, comunicações e redes elétricas. Por isso, acompanhar a evolução das regiões ativas antes de elas aparecerem na face visível é importante para os pesquisadores.
Como os cientistas investigam o outro lado do Sol
Uma técnica chamada heliossismologia permite investigar o interior e a face oculta do Sol por meio de ondas acústicas geradas em seu interior. Ao atravessar regiões de forte atividade magnética, essas ondas podem sofrer alterações que são detectadas em observações da face visível.
A partir desses sinais, os cientistas estimam onde podem existir regiões ativas no lado oposto. A técnica não é nova, mas tem limitações: alguns sinais indicam uma região que, posteriormente, não é confirmada. Os pesquisadores chamam esses casos de “regiões ativas fantasma”.
O que o novo estudo acrescenta
A equipe liderada por Bibhuti Kumar Jha desenvolveu um modelo que calcula a probabilidade de um sinal corresponder a uma região ativa real. Para isso, considera características como a intensidade estimada do campo magnético e a localização da região.
Os pesquisadores compararam dados de heliossismologia com observações da missão espacial STEREO, da NASA, que registrou imagens de regiões do Sol fora da visão direta da Terra. O estudo utilizou dados obtidos entre 2010 e 2014.
Na análise, o critério escolhido pelos pesquisadores permitiu rejeitar cerca de 90% das regiões fantasma identificadas no conjunto de dados usado no estudo. Isso não significa que o método elimine todos os erros ou que detecte todas as regiões ativas.
Depois da avaliação dos sinais, as informações consideradas mais confiáveis podem ser incorporadas a modelos que simulam a evolução do campo magnético na superfície solar. Segundo o trabalho, simulações convencionais baseadas na face visível subestimaram a quantidade total de campo magnético na superfície do Sol em aproximadamente 10% a 20% no período analisado.
Um passo para melhorar os modelos
Um mapa mais completo pode ajudar cientistas a acompanhar como o campo magnético solar muda à medida que o Sol gira. Essas informações também podem alimentar modelos usados no estudo do clima espacial.
O trabalho, porém, não prevê quando uma tempestade solar específica vai ocorrer. Trata-se de um avanço na forma de interpretar e incorporar dados da face oculta do Sol, não de uma garantia de previsão de erupções.
O Space News PB também já abordou outra pesquisa sobre a atividade solar: estudo indica que o Sol poderia produzir superflares raras.
Fontes: Southwest Research Institute e estudo publicado no The Astrophysical Journal Supplement Series.