Envelhecimento dos orbitadores de Marte aumenta a importância de uma nova rede de comunicação
A exploração de Marte depende de uma pequena frota de espaçonaves em órbita que estuda o planeta e retransmite dados dos veículos na superfície. Mas parte dessa infraestrutura está em operação há décadas, e a perda da sonda MAVEN, da NASA, em 2025 expôs a importância de manter e ampliar a rede de comunicação marciana.
Para reforçar essa estrutura, a NASA escolheu a Blue Origin para desenvolver um novo orbitador dedicado a telecomunicações. O projeto pretende ampliar a capacidade de comunicação e navegação para missões atuais e futuras — uma necessidade crescente à medida que mais espaçonaves trabalham ao redor e na superfície do planeta.
Concepção artística de um orbitador atuando como retransmissor de comunicações para missões em Marte. Crédito: NASA/JPL-Caltech.
Uma rede essencial para as missões em Marte
Rovers como o Curiosity e o Perseverance coletam imagens e medições científicas na superfície, mas não enviam a maior parte desses dados diretamente à Terra. Eles transmitem as informações a orbitadores próximos, que funcionam como estações de retransmissão e as encaminham para antenas terrestres.
Esse sistema é necessário porque uma ligação direta entre Marte e a Terra é limitada pela distância e pela posição dos planetas. Além disso, os orbitadores têm antenas e disponibilidade de energia maiores do que as de um rover. A NASA informa que praticamente todas as imagens obtidas na superfície marciana desde 2004 foram enviadas à Terra por meio da rede de retransmissão.
A rede atual reúne espaçonaves de diferentes agências. Entre as que continuam prestando apoio estão os orbitadores da NASA Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, além das sondas europeias Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter. Cada uma também realiza sua própria missão científica.
Uma frota experiente — e envelhecida
Algumas das principais espaçonaves dessa rede estão em Marte há muitos anos. A Mars Odyssey chegou ao planeta em 2001, e a Mars Express, da Agência Espacial Europeia, chegou em 2003. A Mars Reconnaissance Orbiter entrou em órbita em 2006. Todas continuam contribuindo para a exploração, muito além dos primeiros anos previstos para suas missões.
A longevidade é um feito de engenharia, mas também significa que componentes e instrumentos passaram por longos períodos de exposição à radiação, a mudanças de temperatura e ao desgaste natural. Uma falha em uma dessas espaçonaves pode reduzir tanto as observações científicas quanto a capacidade de retransmitir dados dos veículos em solo.
Esse risco ficou mais evidente após o encerramento da missão MAVEN. A NASA perdeu contato com a sonda em dezembro de 2025 e, em junho de 2026, concluiu que ela não poderia ser recuperada. Além de estudar a atmosfera marciana, a MAVEN retransmitia comunicações entre os rovers e a Terra.
Com o fim da missão, os orbitadores restantes assumiram parte do trabalho de retransmissão. A perda não interrompeu as operações na superfície, mas reduziu a redundância da rede — isto é, a disponibilidade de outras espaçonaves para dar apoio caso uma delas falhe ou não esteja posicionada para receber os dados.
Novo orbitador deve ampliar as comunicações
Em setembro de 2026, a NASA anunciou a escolha da Blue Origin para desenvolver a Mars Telecommunications Network, uma rede de telecomunicações que terá como elemento central um orbitador de alto desempenho em torno do planeta.
O contrato tem valor potencial máximo de cerca de US$ 700 milhões. A empresa ficará responsável por projetar, desenvolver, integrar, lançar e operar o sistema. A entrega do orbitador à NASA está prevista para até 31 de dezembro de 2028, e a agência espera que a rede esteja operacional em Marte até 2030.
A estrutura deverá transmitir dados científicos, imagens e informações de navegação, além de comunicações necessárias às missões em torno do planeta e em sua superfície. A NASA afirma que o objetivo é oferecer mais capacidade, confiabilidade e flexibilidade conforme o número de missões aumentar.
O anúncio, porém, descreve uma infraestrutura de comunicação e navegação, não um substituto para todas as sondas científicas que estudam Marte. O novo orbitador deverá reforçar o sistema de retransmissão; as missões de observação científica continuam dependendo de espaçonaves e instrumentos próprios.
Manter a exploração e preparar a próxima etapa
Os orbitadores que já estão em Marte continuam sendo fundamentais para observar a superfície e a atmosfera, apoiar operações dos rovers e transmitir os dados até a Terra. Uma nova rede poderá aliviar a dependência de uma frota pequena e antiga, mas sua chegada ainda está alguns anos à frente.
Até lá, a continuidade da exploração dependerá da saúde das espaçonaves em operação e da coordenação entre as agências que mantêm a rede. A NASA também precisará acompanhar a evolução do projeto comercial e confirmar se o cronograma previsto será cumprido.
O Space News PB mantém uma página com informações e status de missões espaciais, incluindo as sondas que atuam em Marte.
Fontes: NASA — escolha da Blue Origin para a rede de telecomunicações de Marte; NASA — rede de retransmissão de Marte; NASA — encerramento da missão MAVEN; NASA — Mars Reconnaissance Orbiter; NASA — Mars Odyssey.