Estudos investigam a origem da névoa e a formação de terrenos em Vênus

Uma camada de névoa abaixo das nuvens de Vênus pode ter origem em partículas de poeira vindas do espaço. Já algumas regiões elevadas e deformadas da superfície talvez sejam mais jovens do que se pensava. Essas são as hipóteses apresentadas por dois estudos independentes que investigam aspectos diferentes do planeta.

As pesquisas usam modelos e dados obtidos por missões anteriores para propor explicações que poderão ser testadas por futuras observações. Embora tratem de assuntos distintos, ambas mostram quanto ainda há para descobrir sobre Vênus.

Imagem de radar em cores artificiais da região Alpha Regio, em Vênus
Alpha Regio, região de Vênus com terrenos deformados, em imagem de radar da missão Magellan. As cores são artificiais. Crédito: NASA/JPL.


Uma possível origem para a névoa

Entre a superfície de Vênus e sua principal camada de nuvens existe uma região com partículas muito pequenas, conhecida como névoa inferior. Sua origem é investigada desde que sondas detectaram essa camada na atmosfera venusiana.

Em um estudo publicado em abril de 2026 na revista científica Nature Astronomy, pesquisadores usaram um modelo computacional para avaliar como partículas podem se formar e se distribuir na atmosfera do planeta.

O resultado indica que o fluxo contínuo de poeira cósmica — material que chega do espaço e entra na atmosfera — seria suficiente para ajudar a manter a névoa observada. No modelo, essas partículas também podem servir como pontos em torno dos quais materiais se acumulam, contribuindo para a formação de nuvens.

A pesquisa oferece uma explicação possível para a camada, mas não significa que sua origem tenha sido confirmada por uma nova medição direta. Outros dados serão importantes para verificar a hipótese.

Terrenos que podem ter uma história diferente

O segundo estudo, publicado em junho de 2026 no Journal of Geophysical Research: Planets, analisou áreas conhecidas como tesserae: terrenos elevados marcados por conjuntos de cristas, vales e outras estruturas deformadas.

Durante décadas, essas regiões foram consideradas entre as partes mais antigas da superfície de Vênus. Algumas interpretações também compararam esses terrenos a crostas continentais da Terra, embora sua composição e sua história ainda sejam incertas.

A equipe liderada pelo pesquisador Paul Byrne examinou imagens de radar e usou modelos para estudar as forças que atuam na crosta venusiana. A proposta é que pelo menos partes de algumas tesserae possam ter se formado pela deformação de planícies de lava relativamente mais recentes.

Isso não significa que todas as tesserae sejam jovens ou que os pesquisadores tenham medido diretamente sua idade. As imagens de radar, por si só, não permitem determinar com precisão a idade ou a composição dessas regiões.

O que vem pela frente

As duas pesquisas são independentes: a possível origem da névoa não explica a formação das tesserae. Cada uma procura responder a uma pergunta diferente sobre Vênus.

Futuras missões poderão ajudar a avançar nessas investigações. A DAVINCI, da NASA, foi planejada para analisar a atmosfera durante uma descida e fotografar a região Alpha Regio. Já a missão VERITAS deverá estudar a superfície a partir da órbita, usando radar.

O Space News PB já apresentou as duas missões quando foram selecionadas pela NASA: relembre a publicação.

Fontes: Nature Astronomy — estudo sobre a névoa; Journal of Geophysical Research: Planets — estudo sobre as tesserae; Universidade de Washington em St. Louis — explicação da pesquisa; NASA — missão DAVINCI.