Cientistas podem estar mais perto de descobrir do que é feita a matéria escura, uma das maiores questões ainda sem resposta da astronomia e da física.
Um possível sinal foi registrado pelo experimento LUX-ZEPLIN, conhecido pela sigla LZ. O detector identificou uma interação de partículas difícil de explicar pelos fenômenos conhecidos da matéria comum.
O resultado foi apresentado em 1º de setembro de 2026, durante a conferência TeV Particle Astrophysics, realizada no Japão.
Um evento raro
O LUX-ZEPLIN analisou dados coletados durante 220 dias, entre março de 2023 e abril de 2024. Nesse período, o equipamento registrou um evento considerado incomum e compatível com uma colisão entre uma partícula e átomos de xenônio.
Uma das possibilidades é que o sinal tenha sido produzido por uma WIMP, sigla em inglês para “partícula massiva de interação fraca”. As WIMPs estão entre as principais candidatas a formar a matéria escura.
O detector utiliza toneladas de xenônio líquido ultrapuro e está instalado a aproximadamente 1,5 quilômetro de profundidade, no Laboratório Subterrâneo de Sanford, nos Estados Unidos. A localização ajuda a reduzir a interferência de partículas vindas do espaço e da superfície terrestre.
Ainda não é uma descoberta confirmada
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores são cautelosos. O sinal apresentou significância estatística de 2,6 sigma. Na física de partículas, geralmente é necessário atingir 5 sigma para que um resultado seja considerado uma descoberta.
Isso significa que ainda existe a possibilidade de o evento ter sido causado por algum processo comum que não foi identificado pela equipe.
Além disso, o estudo ainda precisa passar pela revisão de outros cientistas e será submetido para publicação em uma revista especializada.
O que é a matéria escura?
A matéria escura não emite, absorve nem reflete luz de forma detectável. Por isso, não pode ser observada diretamente pelos telescópios tradicionais.
Os cientistas acreditam que ela existe por causa de seus efeitos gravitacionais. A velocidade de rotação das galáxias e a forma como a luz se curva ao passar por grandes estruturas cósmicas indicam a presença de uma quantidade de matéria que não conseguimos enxergar.
De acordo com os modelos atuais, a matéria escura corresponde a aproximadamente 85% de toda a matéria do Universo.
Próximos passos
O experimento LUX-ZEPLIN continuará coletando dados para verificar se novos eventos semelhantes serão registrados.
Se outros sinais aparecerem com as mesmas características, a hipótese de que o primeiro evento foi causado por matéria escura ganhará força. Caso contrário, os cientistas poderão concluir que o sinal foi apenas uma flutuação ou um fenômeno comum ainda não compreendido.
Por enquanto, o resultado representa uma pista promissora, mas não a confirmação definitiva da matéria escura.
Fonte: Revista Galileu, Brown University