Sonda Lucy chega à região dos asteroides troianos de Júpiter
Após cinco anos de viagem e mais de 3,5 bilhões de quilômetros percorridos, a sonda Lucy, da NASA, chegou à região do Sistema Solar onde se encontram os asteroides troianos de Júpiter. O anúncio foi feito pela agência espacial em 28 de outubro de 2026. É a primeira vez que uma espaçonave alcança essa população de pequenos corpos, que permanece inexplorada de perto.
Representação da sonda Lucy em sua jornada pelo Sistema Solar. Crédito: NASA.
A chegada não ocorreu em uma fronteira claramente demarcada. O espaço não tem uma placa de entrada para a região dos troianos. Os engenheiros da missão acompanham a posição da Lucy por meio dos sinais de rádio enviados pela espaçonave e de imagens das estrelas ao seu redor. Esses dados indicam que ela está se aproximando do ponto de Lagrange L4 de Júpiter, associado ao grupo de asteroides que acompanha o planeta em sua órbita.
O que são os asteroides troianos?
Os troianos são asteroides que compartilham a órbita de Júpiter ao redor do Sol. Eles se concentram principalmente em dois grandes agrupamentos: um à frente do planeta, próximo ao ponto L4, e outro atrás, perto do ponto L5. Esses pontos são áreas de estabilidade gravitacional relacionadas à interação entre o Sol e Júpiter.
Apesar de dividirem a órbita do planeta gigante, os asteroides não ficam perto dele como satélites. Os agrupamentos estão aproximadamente à mesma distância do Sol que Júpiter — cerca de 484 milhões de milhas, ou 779 milhões de quilômetros. Além disso, os objetos de cada grupo são muito separados entre si. Em média, há mais de 9,6 milhões de quilômetros entre eles.
Por isso, durante a viagem, os alvos aparecem para a Lucy como pontos de luz entre as estrelas. Eles só se tornam objetos com detalhes visíveis quando a sonda se aproxima para fazer cada sobrevoo.
Uma viagem para investigar as origens do Sistema Solar
A Lucy foi lançada em 16 de outubro de 2021 com a missão de estudar asteroides troianos e outros corpos pequenos. Antes de seguir em direção a Júpiter, já passou por dois asteroides do cinturão principal: Dinkinesh, em 2023, e Donaldjohanson, em 2025. Esses encontros ajudaram a testar os instrumentos e a preparar a equipe para os alvos mais distantes.
Os troianos interessam aos cientistas porque podem guardar pistas sobre as primeiras etapas da formação dos planetas. Modelos de formação e evolução do Sistema Solar indicam que esses asteroides podem ser remanescentes dos materiais que deram origem aos planetas gigantes. Como preservam características antigas, seu estudo pode ajudar a reconstruir como o Sistema Solar se organizou há mais de 4 bilhões de anos.
A proposta da missão é comparar objetos de diferentes tamanhos e características, em vez de estudar apenas um asteroide isolado. A Lucy fará sobrevoos próximos, coletando imagens e medições com seus instrumentos. Ela não vai pousar nos asteroides nem permanecer em órbita ao redor deles: passará rapidamente por cada alvo, aproveitando a aproximação para observá-lo em detalhe.
Os próximos encontros da LucyO primeiro encontro da sonda com um asteroide troiano será com Eurybates, em 11 de agosto de 2027. Depois, a missão seguirá para Polymele, em setembro do mesmo ano; Leucus, em abril de 2028; e Orus, em novembro de 2028. Mais tarde, após retornar à vizinhança da Terra para uma assistência gravitacional, a Lucy viajará até o grupo de troianos que acompanha Júpiter por trás. Em março de 2033, deverá observar Patroclus e seu companheiro Menoetius, que formam um sistema binário.
As assistências gravitacionais são manobras em que uma espaçonave passa perto de um planeta e usa parte de seu movimento para alterar a própria trajetória. No caso da Lucy, esses encontros com a Terra ajudam a ajustar o caminho necessário para alcançar os diferentes grupos de asteroides.
A entrada na região troiana marca, portanto, o início de uma nova etapa da missão, mas não o começo imediato dos sobrevoos científicos. A Lucy ainda percorrerá uma grande distância até seu primeiro alvo. Quando chegar a Eurybates, em 2027, começará a sequência de encontros que poderá revelar como são esses antigos habitantes da órbita de Júpiter.
Fontes: NASA — chegada da Lucy à região troiana; NASA — missão Lucy e cronograma dos sobrevoos.