Sonda Hera distingue pela primeira vez os dois asteroides do sistema Didymos

A sonda europeia Hera conseguiu observar separadamente, pela primeira vez, os dois asteroides do sistema Didymos. Em uma imagem feita em 18 de outubro, a espaçonave distinguiu o asteroide maior, Didymos, de Dimorphos, seu pequeno companheiro — o mesmo corpo atingido de propósito pela missão DART, da NASA, em 2022.

Na ocasião, a Hera estava a cerca de 1.280 quilômetros do par, que se encontrava a aproximadamente 197 milhões de quilômetros da Terra. Dimorphos aparece com cerca de um pixel na imagem inicial, mas já pode ser identificado separado de Didymos. A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou o registro como o primeiro em que a sonda resolve os dois alvos como corpos distintos.

Representação artística da sonda Hera durante a aproximação ao sistema Didymos. Crédito: ilustração gerada por IA.


Dois asteroides em órbita um do outro

Didymos tem cerca de 780 metros de diâmetro. Dimorphos, bem menor, mede aproximadamente 151 metros e orbita o asteroide maior a uma distância média de 1,15 quilômetro. Os dois formam um sistema binário: enquanto viajam ao redor do Sol, Dimorphos também percorre uma órbita em torno de Didymos.

Foto da aproximação. Crédito: NASA

A imagem foi captada pela câmera Asteroid Framing Camera, instrumento usado para orientar a espaçonave e observar seus alvos. Antes dessa aproximação, a distância fazia o sistema aparecer como um único ponto de luz. À medida que a Hera se aproxima, as imagens devem ganhar mais detalhes. A ESA informou que esperava divulgar as primeiras imagens detalhadas de Dimorphos em 25 de novembro.

O alvo atingido pela missão DART

Dimorphos ganhou importância científica em 26 de setembro de 2022, quando a espaçonave DART — sigla em inglês para Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo — colidiu intencionalmente com ele. A missão da NASA testou se o impacto de uma espaçonave poderia alterar o movimento de um asteroide.

Após a colisão, observações feitas da Terra mostraram que o período orbital de Dimorphos em torno de Didymos diminuiu em cerca de 33 minutos. O impacto também lançou uma grande quantidade de material para o espaço. O experimento demonstrou que uma colisão pode mudar a órbita de um pequeno corpo, mas ainda faltam dados para entender em detalhes como Dimorphos foi afetado.

Os cientistas ainda querem descobrir, entre outras coisas, se a colisão formou uma cratera ou remodelou uma parte significativa do asteroide, qual é sua massa e como seu interior está estruturado. Essas informações ajudam a explicar por que a mudança orbital observada foi maior do que algumas simulações previam.

A investigação da Hera

A Hera foi lançada em outubro de 2024 para fazer uma investigação detalhada do sistema Didymos após o impacto da DART. A missão não repetirá a colisão: seu objetivo é examinar de perto o local atingido e medir propriedades dos asteroides que não puderam ser determinadas completamente apenas com observações a partir da Terra.

A sonda fará mapeamentos visuais, a laser e por rádio para estudar a superfície, a forma e a estrutura do sistema. Ela também levará dois pequenos CubeSats, chamados Milani e Juventas, que serão liberados para realizar medições mais próximas. Milani investigará a composição mineral da superfície; Juventas usará radar para sondar o interior de Dimorphos.

Os dois CubeSats foram projetados para operar perto do asteroide, em condições de gravidade muito baixa, e terminarão suas atividades com tentativas de contato com a superfície. O conjunto de observações permitirá comparar o estado do sistema depois do impacto com os dados obtidos pela DART durante a colisão.

Por que estudar o impacto?

O teste da DART mostrou que é possível alterar a órbita de um asteroide por impacto, mas transformar essa técnica em uma estratégia confiável de defesa planetária exige conhecer melhor o resultado. O efeito depende de características como massa, composição, porosidade e estrutura interna do alvo — propriedades que a Hera ajudará a medir.

Didymos e Dimorphos não estão sendo apresentados como uma ameaça à Terra. O sistema funciona como um laboratório natural para estudar como um impacto cinético pode modificar o movimento de um pequeno corpo. Com dados mais completos, cientistas poderão aperfeiçoar modelos e avaliar melhor como uma técnica semelhante poderia ser empregada caso um asteroide perigoso fosse identificado no futuro.

A primeira imagem que separa Didymos de Dimorphos é apenas um passo inicial da aproximação. Conforme a Hera chegar mais perto, suas câmeras e instrumentos deverão revelar detalhes do asteroide que foi alvo do experimento da DART — e ajudar a transformar uma demonstração de impacto em um teste muito mais bem compreendido.

Fontes:
ESA — primeira imagem da Hera que distingue Didymos e Dimorphos
ESA — objetivos e instrumentos da missão Hera
ESA — imagem de Didymos e Dimorphos captada pela Hera