NASA avalia opções para prolongar a missão do telescópio Hubble
A NASA está consultando empresas para avaliar maneiras de manter o Telescópio Espacial Hubble em operação por mais tempo — e também como garantir sua retirada segura quando sua missão chegar ao fim. A iniciativa ainda está em fase de levantamento de informações: não significa que uma missão de resgate ou manutenção tenha sido aprovada.
NASA consulta empresas sobre o futuro do Hubble
Em 29 de outubro de 2026, a agência publicou uma Request for Information (RFI), uma solicitação de informações para conhecer as tecnologias e capacidades disponíveis no setor privado. O documento apresenta três possibilidades: enviar uma espaçonave para elevar o Hubble a uma órbita mais alta, realizar serviços que possam ampliar suas capacidades ou planejar uma forma segura de encerrar sua missão.
A consulta não é uma confirmação de que qualquer uma dessas opções será executada. A NASA pretende entender o que seria tecnicamente possível e avaliar alternativas enquanto o observatório continua trabalhando. As empresas interessadas podem enviar informações até 30 de novembro, às 15h no horário da costa leste dos Estados Unidos.
Por que a órbita do telescópio está diminuindo?
O Hubble está em órbita baixa da Terra. Embora essa região seja muito rarefeita, ainda há partículas da atmosfera que exercem um pequeno arrasto sobre os objetos em movimento. Com o passar do tempo, esse efeito reduz gradualmente a altitude do telescópio.
O observatório não tem um sistema de propulsão próprio para corrigir sua órbita. Segundo as análises citadas pela NASA, sem uma intervenção, ele poderá reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034. A agência estima que uma missão para elevar sua órbita precisaria ocorrer até 2032 — mas essa previsão não indica uma data exata nem garante que a reentrada acontecerá naquele intervalo.
Manutenção em órbita já fez parte da história do Hubble
O Hubble foi projetado para receber manutenção no espaço. Entre 1993 e 2009, astronautas realizaram cinco missões de serviço, substituindo componentes e instalando instrumentos mais avançados. As missões também ajudaram a elevar sua órbita. A última manutenção tripulada ocorreu em 2009, durante a missão do ônibus espacial Atlantis.
Uma operação comercial seria diferente das antigas missões com ônibus espaciais e ainda precisaria ser estudada em detalhe. A consulta da NASA busca justamente verificar se as empresas hoje têm recursos para se aproximar do telescópio, interagir com ele e, dependendo da proposta, modificar sua órbita ou realizar serviços.
Um observatório ainda em atividade
Mais de três décadas depois de começar suas operações, o Hubble continua produzindo observações usadas em pesquisas astronômicas. Seus dados, obtidos principalmente em luz visível e ultravioleta, complementam os de outros telescópios, incluindo o James Webb, que observa sobretudo em comprimentos de onda infravermelhos.
Por enquanto, o futuro do Hubble permanece em aberto. A NASA está recolhendo informações, não anunciando um plano definido. As respostas das empresas poderão ajudar a agência a decidir se prolongar a vida científica do observatório é viável — ou qual seria a melhor forma de encerrar sua missão com segurança.
O anúncio acrescenta um novo capítulo à trajetória do telescópio, que recentemente completou 200 mil órbitas da Terra. O marco e as observações atuais do Hubble foram abordados pelo Space News PB em uma matéria anterior.
Fontes