Projeto LaserSETI, que busca flashes de laser no espaço instala duas estações na Arábia Saudita

Duas estações do projeto LaserSETI começaram a operar em AlUla, no noroeste da Arábia Saudita, ampliando a rede internacional que monitora o céu em busca de flashes breves de luz. O local é o primeiro ponto de observação do projeto na Ásia e o quinto no mundo.

Duas estações do projeto LaserSETI instaladas em AlUla, na Arábia Saudita
As duas estações LaserSETI instaladas em AlUla. Crédito: LaserSETI/SETI Institute.


As estações foram instaladas no observatório AlUla Manara e estão coletando dados astronômicos. O anúncio da operação foi feito em outubro de 2026 pelo SETI Institute, organização de pesquisa dos Estados Unidos, e pela Comissão Real de AlUla, entidade saudita responsável pelo desenvolvimento da região.

Como funciona o LaserSETI

O LaserSETI é uma rede de instrumentos ópticos criada para observar áreas amplas do céu repetidamente e procurar flashes que podem durar pouco tempo. Em vez de apontar para um único astro, como muitos telescópios fazem, suas câmeras acompanham grandes campos celestes.

Os instrumentos usam câmeras e grades de difração, componentes que separam a luz em diferentes comprimentos de onda — como um prisma. Uma estrela aparece distribuída em várias cores; um laser, por emitir luz concentrada em uma faixa estreita, pode deixar uma marca diferente no registro. Essa característica ajuda a identificar sinais que mereçam uma investigação mais cuidadosa.

Um pulso de laser vindo de outra estrela seria uma possível tecnossinatura: uma observação que poderia indicar a presença de tecnologia. Mas um clarão isolado não provaria que existe uma civilização extraterrestre. Fenômenos naturais, interferências e outros efeitos também precisam ser considerados e descartados.

Um novo ponto de observação na Ásia

Com AlUla, o LaserSETI passa a contar com cinco locais de observação, juntando-se aos pontos já instalados na Califórnia, no Havaí, no Arizona e em Porto Rico. Distribuir os instrumentos por diferentes regiões permite acompanhar partes maiores do céu e comparar observações feitas de lugares distintos.

A localização também oferece condições favoráveis: AlUla é conhecida por seus céus escuros e pela baixa poluição luminosa. As duas estações foram comissionadas em agosto de 2026 e estão em operação, contribuindo com dados para a rede global. O SETI Institute e a Comissão Real de AlUla devem operar e manter as estações durante três anos.

A instalação faz parte de um acordo de cooperação anunciado em agosto de 2024, que prevê apoio à pesquisa astronômica, à educação e ao desenvolvimento do observatório AlUla Manara. O anúncio atual marca a passagem do planejamento para a operação dos equipamentos.

Busca por sinais, não confirmação de vida

O início das observações não significa que o LaserSETI tenha detectado um sinal extraterrestre. A próxima etapa é analisar os dados coletados e comparar possíveis eventos com observações de outros locais. Até que um sinal seja verificado de forma independente e tenha explicações alternativas investigadas, ele não pode ser tratado como evidência de tecnologia alienígena.

O projeto amplia a busca por possíveis sinais tecnológicos para além das ondas de rádio. O Space News PB já abordou buscas de rádio relacionadas ao sinal observado na direção da estrela HD 164595 e ao objeto interestelar ʻOumuamua. O LaserSETI investiga outra faixa: a luz visível.

Fontes: