Nota de atualização — outubro de 2026: o sinal atribuído em 2016 à direção da estrela HD 164595 não foi confirmado por observações posteriores. Radiotelescópios que acompanharam a região não detectaram uma repetição. Até hoje, não há evidência de que tenha sido uma transmissão extraterrestre; interferência terrestre é uma explicação provável, embora sua origem exata não tenha sido estabelecida.
Em 2015, o radiotelescópio RATAN-600, na Rússia, registrou um sinal de rádio durante uma observação da região do céu onde está HD 164595, um sistema a cerca de 94 anos-luz da Terra, na constelação de Hércules. O sinal foi divulgado publicamente em 2016 e chamou a atenção por ser um possível alvo de acompanhamento pelo SETI, a busca por sinais de tecnologia além da Terra.
A expressão “na direção de HD 164595” é importante: o formato do feixe do RATAN-600 não permitia determinar com certeza que a origem do sinal fosse a estrela ou um planeta do sistema. A observação, por si só, não identificou uma fonte extraterrestre.
O que foi registrado
O sinal foi observado em maio de 2015, em uma frequência próxima de 11 gigahertz. A intensidade relatada foi de cerca de 0,75 jansky. Ele apareceu em apenas uma das 39 observações da região citadas pelos pesquisadores russos — uma ocorrência isolada, que precisava ser verificada por outros instrumentos.
HD 164595 é uma estrela parecida com o Sol e possui pelo menos um planeta conhecido, HD 164595 b, com massa comparável à de Netuno e uma órbita próxima da estrela. A existência desse planeta não demonstra que o sinal tenha vindo dele ou que o sistema abrigue uma civilização.
As buscas não encontraram repetição
Após a divulgação, pesquisadores do SETI apontaram o Allen Telescope Array para a região e fizeram novas buscas. O sinal não foi detectado. A equipe do RATAN-600 também afirmou que ainda não havia sido encontrado um sinal procurado que pudesse confirmar uma origem extraterrestre.
Interferências de origem terrestre — inclusive sinais de satélites — são uma possibilidade conhecida em radioastronomia. Algumas reportagens mencionaram essa hipótese para o caso, mas a origem exata do evento não foi confirmada. O resultado mais seguro é que o sinal não voltou a ser observado e não constitui evidência de contato alienígena.
O que se pode concluir
O episódio serviu como um candidato interessante para acompanhamento, não como uma descoberta de inteligência extraterrestre. Uma única detecção, sem repetição e sem confirmação independente, não permite concluir que o sinal foi produzido por uma civilização.
Fontes:
SETI Institute — análise do sinal atribuído à direção de HD 164595 e buscas de acompanhamento
Observatório Astrofísico Especial da Academia Russa de Ciências — comunicado sobre o sinal
Science News — buscas posteriores não encontraram o sinal