Cometas: tipos, composição e como são descobertos

Cometas são pequenos corpos celestes que preservam materiais antigos do Sistema Solar. Quando se aproximam do Sol, parte de seu gelo se transforma em gás e libera poeira, criando a nuvem brilhante e as caudas que vemos em algumas imagens. Mas nem todo cometa fica visível a olho nu — e nem todos seguem o mesmo tipo de órbita.

Montagem infravermelha de 20 cometas observados pela missão WISE/NEOWISE.  As cores são representativas. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA. 


O que é um cometa?

Um cometa é um corpo formado por uma mistura de gelo, poeira e material rochoso que orbita o Sol. Muitos se originaram nas regiões mais distantes e frias do Sistema Solar, onde substâncias voláteis — materiais que passam facilmente do estado sólido para o gasoso — puderam permanecer congeladas.

O componente sólido do cometa é chamado núcleo. Ele costuma ter apenas alguns quilômetros de tamanho, embora existam núcleos menores e maiores. Em seu interior e em sua superfície podem existir gelo de água, gases congelados, como dióxido de carbono e monóxido de carbono, poeira, grãos minerais e compostos ricos em carbono.

Por isso, os cometas às vezes são chamados de “bolas de neve suja”. A expressão é uma simplificação: cada cometa tem uma composição própria, e suas superfícies podem ser escuras, irregulares e cobertas por poeira, em vez de parecerem bolas brancas de gelo.

Por que aparecem a coma e as caudas?

Quando um cometa se aproxima do Sol, sua superfície se aquece. Parte dos gelos passa diretamente do estado sólido para o gasoso — processo chamado sublimação — e arrasta poeira para o espaço.

O gás e a poeira liberados formam uma nuvem difusa ao redor do núcleo, chamada coma. Ela pode ficar muito maior que o núcleo e é, muitas vezes, o que torna o cometa mais fácil de observar. O núcleo, por sua vez, é pequeno e costuma ficar escondido dentro dessa nuvem quando o cometa está ativo.

A pressão da luz solar e o fluxo de partículas vindas do Sol, conhecido como vento solar, empurram parte desse material para longe da estrela. Assim podem se formar duas caudas:

  • Cauda de poeira: formada por partículas sólidas; costuma ser mais larga e curvada, acompanhando parcialmente o movimento do cometa.
  • Cauda de íons: formada por gases eletricamente carregados; tende a ser mais reta e aponta diretamente para longe do Sol.

As caudas não ficam necessariamente “atrás” do cometa como uma esteira. Elas se orientam em relação ao Sol. Como o cometa se move em sua órbita, a direção das caudas pode parecer diferente da direção de seu deslocamento. Além disso, elas podem ser fracas ou difíceis de distinguir em imagens e observações.

Quais são os tipos de cometas?

Uma classificação comum leva em conta o tempo que o cometa leva para completar uma volta ao redor do Sol:

  • Cometas de curto período: completam uma órbita em menos de 200 anos. Muitos estão associados ao Cinturão de Kuiper, uma região além da órbita de Netuno que abriga numerosos corpos gelados. O cometa Halley, por exemplo, retorna às proximidades do Sol aproximadamente a cada 76 anos.
  • Cometas de longo período: levam mais de 200 anos para completar uma volta. Muitos podem vir da Nuvem de Oort, uma vasta região esférica e distante que se acredita cercar o Sistema Solar.

Essas regiões são reservatórios de pequenos corpos gelados. Perturbações gravitacionais — por exemplo, a influência de planetas ou de outras estrelas — podem alterar a órbita de alguns deles e enviá-los em direção ao Sistema Solar interior.

Também se usa o termo rasantes do Sol para cometas que passam extremamente perto da estrela. Alguns sobrevivem à aproximação; outros se fragmentam ou evaporam. Essa designação descreve o caminho percorrido, não o tempo que o cometa leva para completar uma órbita.

Há ainda os cometas interestelares: objetos que se formaram fora do Sistema Solar e passam por ele em trajetórias que indicam que não estão presos à gravidade do Sol. O 3I/ATLAS, tema de uma matéria do Space News Pb, é um exemplo desse grupo.

Cometas importantes para conhecer

Alguns cometas ficaram conhecidos por serem visíveis da Terra; outros, pelas descobertas científicas ou pelas missões espaciais que os estudaram. Veja alguns exemplos:

  • 1P/Halley: o mais famoso dos cometas periódicos. Edmond Halley percebeu que os cometas observados em 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo objeto, que retornava em intervalos regulares. Sua próxima passagem pelo periélio é prevista para 2061. O Space News Pb já contou a história do cometa Halley.
  • C/1995 O1 (Hale-Bopp): chamado de “Grande Cometa de 1997”, ficou visível a olho nu por cerca de 18 meses. Seu núcleo tem aproximadamente 60 quilômetros de diâmetro, e ele leva cerca de 2.534 anos para completar uma órbita ao redor do Sol.
  • 9P/Tempel 1: foi alvo da missão Deep Impact, da NASA. Em 2005, uma sonda atingiu deliberadamente o cometa para lançar material de sua superfície e permitir o estudo de sua composição interna.
  • 67P/Churyumov-Gerasimenko: foi estudado de perto pela missão Rosetta, da Agência Espacial Europeia. A sonda acompanhou o cometa durante sua órbita e, em 2014, enviou o módulo Philae para pousar em sua superfície — a primeira tentativa bem-sucedida de pouso em um cometa.
  • C/2020 F3 (NEOWISE): descoberto em 2020 pelo telescópio espacial NEOWISE, tornou-se um dos cometas mais brilhantes observados da Terra em décadas. Seu próximo retorno às regiões internas do Sistema Solar pode levar cerca de 6.800 anos.
  • D/1993 F2 (Shoemaker-Levy 9): depois de ser rompido pela gravidade de Júpiter, seus fragmentos colidiram com o planeta em julho de 1994. Foi a primeira vez que astrônomos conseguiram prever e observar diretamente uma colisão entre dois corpos do Sistema Solar. O Space News Pb tem uma matéria sobre o Shoemaker–Levy 9.
  • 3I/ATLAS: identificado em 2025, é o terceiro objeto interestelar conhecido a atravessar o Sistema Solar — isto é, veio de fora dele e não está preso à órbita do Sol. O Space News Pb já publicou uma matéria sobre esse visitante interestelar.

Esses exemplos mostram que “cometa” não descreve uma única história: alguns retornam periodicamente, outros demoram milhares de anos para voltar, e há também visitantes vindos de outros sistemas planetários.

Como os cometas são descobertos?

Muitos cometas são encontrados por telescópios que fotografam repetidamente grandes áreas do céu. Programas de busca usam câmeras e softwares para comparar imagens e localizar pontos que mudaram de posição em relação às estrelas. Um objeto difuso, com aparência de pequena mancha, pode ser um candidato a cometa.

Uma observação isolada nem sempre basta para confirmar a descoberta. Astrônomos precisam acompanhar o objeto em noites diferentes, medir sua posição e calcular sua trajetória. Outros observatórios podem fazer observações de confirmação. Esses dados são reunidos e verificados pelo Minor Planet Center, organização que coordena informações e órbitas de cometas e outros pequenos corpos do Sistema Solar.

Às vezes, um objeto é detectado inicialmente sem uma coma evidente. Observações posteriores podem revelar atividade — gás e poeira ao redor do núcleo — e ajudar a confirmar sua natureza cometária. Por isso, a descoberta e a classificação podem depender de novas imagens e medições.

O nome de um cometa pode estar associado a seus descobridores, a uma equipe ou ao programa de observação que o encontrou. Em muitos casos, a designação oficial também inclui letras e números que ajudam a indicar quando ele foi identificado e que tipo de objeto é.

Por que estudar cometas?

Como preservam materiais formados nos primórdios do Sistema Solar, os cometas funcionam como registros de sua história. Ao analisar a luz refletida por eles ou observar o gás e a poeira que liberam, os cientistas investigam sua composição e as condições em que esses corpos se formaram.

Missões espaciais também já observaram cometas de perto. A missão europeia Rosetta acompanhou o 67P/Churyumov-Gerasimenko e estudou como sua superfície e sua atividade mudavam durante a aproximação do Sol. Essas observações ajudam a compreender melhor como os cometas funcionam — e como os pequenos corpos contribuíram para a evolução do Sistema Solar.

O cometa Halley e sua órbita podem ser conhecidos em mais detalhes nesta matéria do Space News Pb.

Fontes consultadas