China detalha plano para levar astronautas à Lua antes de 2030
A China divulgou novos detalhes sobre como pretende realizar seu primeiro pouso tripulado na Lua antes de 2030. O plano prevê dois lançamentos separados, o encontro de duas espaçonaves em órbita lunar e a descida de astronautas à superfície. Ao mesmo tempo, uma missão robótica importante para estudar o polo sul lunar foi adiada, mostrando que o cronograma ainda depende de desafios técnicos e operacionais.
Dois lançamentos e um encontro na órbita lunar
A arquitetura foi apresentada por Wang Xiang, vice-chefe de projeto do programa espacial tripulado chinês e projetista-chefe da exploração lunar, durante um simpósio realizado em Pequim no início de novembro. A proposta prevê o envio separado de duas espaçonaves: a nave tripulada Mengzhou e o módulo lunar Lanyue. Cada veículo deverá ser lançado por um foguete Longa Marcha 10.
Depois de chegarem à órbita da Lua, Mengzhou e Lanyue deverão se encontrar e acoplar. A tripulação terá três astronautas — chamados de taikonautas na China —, mas apenas dois passarão para o módulo Lanyue. Eles descerão até a superfície para realizar atividades científicas e, depois, retornarão à nave Mengzhou. O terceiro integrante permanecerá na espaçonave em órbita.
Concluída a operação lunar, os dois veículos se acoplarão novamente. A tripulação reunida seguirá então de volta à Terra a bordo da Mengzhou. Essa separação de funções permite que a nave de retorno e o módulo de pouso sejam desenvolvidos como veículos distintos.
A meta anunciada por Pequim é realizar o pouso tripulado antes de 2030. A data é um objetivo do programa, não uma confirmação de que a missão já esteja pronta para voar.
Testes antes de levar pessoas
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o desenvolvimento do foguete Longa Marcha 10, da nave Mengzhou e do módulo Lanyue avança. Alguns testes importantes já foram realizados: a Mengzhou passou por ensaios de escape de emergência, o Lanyue foi submetido a testes de pouso e decolagem, e o foguete realizou uma demonstração em baixa altitude.
Os próximos passos incluem testar os componentes e procedimentos sem astronautas antes de tentar uma missão tripulada. A ideia é verificar, entre outras etapas, o lançamento, a chegada à órbita lunar, o acoplamento entre as espaçonaves, o pouso, a permanência na superfície e a decolagem da Lua.
Um cronograma de testes para os próximos anos foi descrito por veículos especializados a partir de uma apresentação feita no simpósio. De acordo com essa cobertura, a sequência poderia incluir um voo de teste da nave em órbita terrestre em 2027, um teste lunar não tripulado do módulo Lanyue em 2028 e um ensaio mais completo em 2029. Essas datas foram reproduzidas por fontes especializadas, mas não aparecem no relato da Xinhua sobre o anúncio; por isso, devem ser tratadas como cronograma divulgado pela imprensa, e não como calendário oficial confirmado em todos os detalhes.
O que as missões robóticas podem revelar
O plano tripulado também depende do conhecimento obtido por sondas e robôs enviados à Lua. A missão Chang’e-6, por exemplo, trouxe à Terra amostras coletadas no lado afastado lunar em 2024 — uma região que não é visível diretamente do nosso planeta.
A próxima missão da série, Chang’e-7, foi concebida para investigar o polo sul da Lua, incluindo crateras que permanecem na sombra e podem preservar gelo de água. O conjunto previsto inclui um orbitador, um módulo de pouso, um veículo de exploração e uma pequena sonda capaz de se deslocar por saltos para alcançar áreas difíceis.
O lançamento da Chang’e-7, que era esperado em 2026, foi adiado depois que autoridades chinesas informaram que a sonda não atendia às condições necessárias para o lançamento. O comunicado não divulgou uma nova data nem explicou com precisão a causa. Especialistas ouvidos pela imprensa estimaram que a missão poderá ser tentada em 2027, mas essa previsão ainda não equivale a um cronograma oficial confirmado.
O adiamento importa porque o polo sul é uma região central nos planos lunares de vários países. A água congelada, se encontrada em quantidade e em condições de acesso, poderia ajudar em futuras operações — por exemplo, fornecendo água potável ou matéria-prima para produzir oxigênio. Mas a presença de gelo utilizável e sua distribuição ainda precisam ser investigadas diretamente.
A China também planeja a missão robótica Chang’e-8, prevista para o fim da década, que deverá ampliar os estudos e testar tecnologias para operações futuras. Os resultados dessas missões podem ajudar a definir onde pousar e quais condições os equipamentos e as tripulações terão de enfrentar.
Uma estação lunar no horizonte
O pouso tripulado faz parte de um plano de longo prazo que inclui a construção de uma estação internacional de pesquisa lunar em parceria com a Rússia. A meta divulgada para 2035 é estabelecer uma versão inicial dessa estrutura, mas os detalhes de sua configuração e de como será mantida ainda dependem do desenvolvimento das missões e das tecnologias necessárias.
Por enquanto, a iniciativa reúne objetivos de diferentes escalas: explorar regiões pouco conhecidas, testar recursos e tecnologias, realizar pousos robóticos e preparar uma missão com astronautas. O anúncio recente tornou mais claro o método previsto para chegar à superfície; não significa, porém, que a China já tenha demonstrado todas as etapas de uma missão lunar tripulada.
O programa chinês avança enquanto outras potências também planejam voltar à Lua. Ainda assim, a comparação entre calendários deve ser feita com cautela: datas podem mudar, e o sucesso dependerá de testes e operações que ainda precisam ser concluídos.
Fontes