O Webb observou a região com sua câmera de infravermelho próximo, a NIRCam. Esse tipo de luz permite observar estruturas escondidas atrás de nuvens de poeira que podem bloquear a visão de telescópios que captam principalmente a luz visível.
Cores que revelam diferentes gases
Na imagem, a região dourada à esquerda da estrela central é dominada por hidrogênio atômico quente. À direita, aparece hidrogênio molecular mais frio, em tons avermelhados. A NASA explica que parte desse gás é aquecida por ondas de choque produzidas por jatos lançados por protoestrelas — estrelas ainda em formação.
As cores da imagem não são exatamente as que uma pessoa veria a olho nu. Elas foram atribuídas aos dados coletados em diferentes filtros infravermelhos para destacar as características físicas da região. As áreas cinzentas indicam algumas das regiões mais frias e densas, onde protoestrelas ainda não se formaram.
A imagem cobre uma área de aproximadamente 5,7 anos-luz. Nesse espaço, o Webb consegue mostrar filamentos de gás, poeira e fluxos de material associados ao nascimento das estrelas com um nível de detalhe que ajuda os astrônomos a estudar como esses objetos se desenvolvem.
Uma estrela esculpe o ambiente ao redor
Um dos destaques da cena é a estrela LkHα 234, localizada na região central. Ela tem entre cinco e oito vezes a massa do Sol e ainda está em uma fase anterior à sequência principal — etapa em que uma estrela passa a produzir energia de forma estável pela fusão de hidrogênio em seu núcleo.
Ao redor dela, uma cavidade com cerca de 3,5 anos-luz de extensão mostra como estrelas jovens podem influenciar o espaço onde nascem. Fluxos de material lançados em uma etapa anterior da evolução estelar avançam contra a nuvem molecular, aquecendo e dispersando parte do gás.
Esse processo não apenas remove material: também pode comprimir partes da nuvem. A compressão favorece condições para que novas estrelas se formem, fazendo com que a atividade de uma geração influencie o nascimento da seguinte.
Um retrato do nascimento estelar
Estrelas começam a se formar em nuvens moleculares frias e densas, compostas principalmente por gás e poeira. A gravidade reúne esse material, que se aquece à medida que a protoestrela acumula massa. Por permanecerem envoltas por poeira, muitas estrelas jovens são difíceis de observar em luz visível.
Com sua sensibilidade ao infravermelho, o Webb consegue atravessar parte dessas nuvens e revelar estrelas e estruturas antes escondidas. A observação de NGC 7129 ajuda os cientistas a acompanhar diferentes fases desse processo e a entender como a energia liberada por estrelas jovens transforma o ambiente ao redor delas.
Fontes
