Voluntários ajudam a procurar buracos negros escondidos na Via Láctea

Uma equipe de astrônomos está convidando o público a ajudar na busca por buracos negros que podem estar escondidos na Via Láctea. No projeto de ciência cidadã Black Hole Hunters, voluntários analisam gráficos de brilho de estrelas observadas pelo satélite TESS, da NASA, em busca de sinais que indiquem a presença desses objetos invisíveis.

Campo de estrelas e galáxias observado pelo satélite TESS em sua primeira imagem científica
Imagem de “primeira luz” do TESS, composta a partir de observações de suas quatro câmeras. Ela ilustra o tipo de campo estelar observado pela missão; não mostra um buraco negro nem um sinal específico do projeto. Crédito: NASA/MIT/TESS.

Como procurar algo que não emite luz?

Buracos negros não podem ser vistos diretamente, mas sua gravidade pode deixar pistas. Em alguns sistemas, um buraco negro e uma estrela orbitam um ao redor do outro. Quando o buraco negro passa entre a estrela e a Terra, sua gravidade pode curvar e ampliar temporariamente a luz da estrela. Esse efeito é chamado de lente gravitacional.

O projeto procura esses aumentos de brilho nos dados do TESS — sigla em inglês para Transiting Exoplanet Survey Satellite, satélite da NASA criado para estudar planetas fora do Sistema Solar. A missão registra mudanças na luminosidade das estrelas ao longo do tempo, formando curvas de luz que podem revelar eventos incomuns.

O papel dos voluntários

Antes da participação do público, algoritmos de inteligência artificial examinaram milhões de possibilidades e reduziram a lista de alvos. Ainda assim, variações naturais das estrelas, como pulsações e erupções, podem confundir os sistemas automatizados. Os voluntários ajudam observando gráficos e animações e sinalizando padrões que merecem uma análise mais cuidadosa.

A equipe da Universidade de Southampton estima que conhece cerca de 70 buracos negros na Via Láctea, mas acredita que muitos outros ainda não foram identificados. As classificações dos participantes ajudam a escolher quais estrelas devem ser observadas novamente por telescópios. Elas apontam candidatos promissores, mas não confirmam sozinhas a existência de um buraco negro.

Não é preciso ter formação em astronomia nem possuir telescópio. A participação é on-line e está aberta a pessoas de qualquer lugar, inclusive da Paraíba. O projeto oferece exemplos do que procurar, e a tarefa consiste em reconhecer padrões em gráficos e animações. Para começar, basta acessar a página do Black Hole Hunters no Zooniverse usando um computador, tablet ou celular.

O Space News Pb já abordou outra manifestação dos buracos negros: a formação de jatos de partículas. A nova iniciativa trata de um caminho diferente para encontrá-los — observar como a gravidade desses objetos pode alterar a luz de estrelas próximas. Leia também a matéria sobre os jatos de buracos negros.

Fontes