Starlink e Amazon Leo: a corrida para levar internet à órbita baixa

A Starlink, rede de internet por satélite da SpaceX, ganhou um novo concorrente de peso: a Amazon Leo, nome atual do antigo Projeto Kuiper. As duas empresas apostam em grandes constelações de satélites em órbita baixa da Terra para levar conexão a regiões onde redes terrestres, como fibra óptica e telefonia móvel, são limitadas ou não chegam.

Representação artística de uma rede de satélites conectando regiões da Terra
Representação artística de uma rede de conectividade via satélite. Crédito: Amazon


Como funciona a internet por satélite em órbita baixa

Em vez de depender de um único satélite muito distante, redes como Starlink e Amazon Leo usam muitos satélites em órbita baixa. O equipamento instalado no local do usuário se comunica com os satélites que passam sobre a região; a conexão segue pela rede espacial e por estações em terra até alcançar a internet. Como os satélites se deslocam rapidamente em relação ao solo, a constelação precisa ser numerosa para manter a cobertura e transferir a conexão entre diferentes unidades.

A Amazon informa que sua rede foi planejada para ter mais de 3 mil satélites. A empresa também prevê links ópticos entre as espaçonaves, além da comunicação com estações terrestres e pontos de conexão à internet. Esses elementos fazem parte do projeto da rede; a capacidade real do serviço dependerá da implantação dos satélites e da infraestrutura em solo.

Amazon Leo ainda está construindo sua rede

A Amazon iniciou a implantação em grande escala da constelação em abril de 2025. Segundo a publicação especializada Light Reading, até outubro de 2026 a empresa havia lançado 396 satélites em 14 missões, e quatro deles já tinham sido retirados de órbita. A reportagem também informou que mais de mil unidades haviam sido fabricadas — um número que não deve ser confundido com a quantidade de satélites já lançados.

A empresa pretende iniciar o serviço comercial ainda em 2026, mas não havia anunciado uma data exata nem divulgado os preços. O cronograma original previa o início em meados do ano, e a previsão foi adiada. Portanto, a estreia segue como uma meta da companhia, não como um lançamento já confirmado para um dia específico.

Starlink parte na frente, mas a disputa vai além da quantidade

A Starlink já opera uma rede extensa, enquanto a Amazon Leo ainda está na fase de implantação inicial. Essa diferença dá à SpaceX uma vantagem de experiência e escala no momento, mas não determina sozinha o resultado da concorrência. Também serão importantes a cobertura oferecida, a capacidade da rede, o desempenho da conexão, o custo dos equipamentos e a disponibilidade do serviço em cada país.

A Amazon afirma que oferecerá diferentes modelos de antena para seus clientes. Mesmo assim, sem preços e condições comerciais publicados, ainda não é possível comparar de forma justa o custo dos dois serviços. A entrada de um novo operador pode ampliar as opções de conexão, mas o efeito para os consumidores dependerá de quando o serviço chegar a cada região e de quanto custará.

O Space News Pb já abordou a Starlink em uma matéria de 2020 sobre medidas para reduzir o brilho dos satélites. O foco agora é diferente: acompanhar a formação de uma segunda grande rede comercial e o que essa competição pode mudar no acesso à internet via satélite.

Mais satélites também trazem desafios

Constelações numerosas exigem atenção à segurança das operações em órbita, à retirada de satélites que deixam de funcionar e aos efeitos da luz refletida nas observações astronômicas. A própria Amazon afirma que trabalha para reduzir riscos de detritos orbitais e estudar formas de diminuir a visibilidade de seus satélites. Essas medidas serão importantes à medida que novas redes crescerem e ocuparem o espaço próximo à Terra.

A corrida entre Starlink e Amazon Leo, portanto, não é apenas uma disputa para vender internet. Ela também testa a capacidade de construir, lançar e coordenar milhares de satélites — mantendo o serviço confiável e limitando os impactos de uma presença cada vez maior de equipamentos em órbita.

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