Sonda Psyche inicia propulsão contínua rumo a asteroide metálico
A sonda Psyche, da NASA, iniciou uma etapa de propulsão quase contínua em sua viagem ao asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter. A mudança começou em 28 de setembro de 2026 e mantém a espaçonave no rumo previsto para chegar ao destino em 2029.
Segundo a NASA, os propulsores deverão funcionar durante quase 90% do tempo disponível até a chegada ao asteroide. A sonda interrompe a operação apenas para atividades técnicas necessárias e para se comunicar com as equipes em solo. Essa etapa começou depois que a missão completou, em maio de 2026, uma passagem próxima por Marte que ajudou a ajustar sua trajetória e a aumentar sua velocidade.
Um impulso constante, não uma arrancada
A Psyche utiliza propulsão elétrica solar, diferente dos motores químicos que produzem grandes empurrões por períodos curtos. A eletricidade gerada pelos painéis solares alimenta campos eletromagnéticos que aceleram átomos eletricamente carregados — chamados íons — do gás xenônio. Ao serem expelidos, esses íons geram empuxo e impulsionam a espaçonave.
O empuxo máximo de cada propulsor é de cerca de 250 milinewtons, aproximadamente a força sentida ao segurar uma pilha AA na mão. É uma força muito pequena, mas aplicada por longos períodos. Com o tempo, ela aumenta gradualmente a velocidade da sonda, sem exigir grandes quantidades de combustível de uma só vez.
O sistema usa quatro propulsores, que funcionam um de cada vez. A espaçonave foi lançada com cerca de 1.090 quilos de xenônio e, nos primeiros três anos da viagem, consumiu aproximadamente um terço dessa reserva. A NASA informa que ainda há propelente suficiente para alcançar o asteroide e realizar a missão científica principal, prevista para durar cerca de dois anos em órbita.
A passagem por Marte ajudou a preparar a missão
Em 15 de maio de 2026, a sonda passou a cerca de 4.600 quilômetros da superfície de Marte. A gravidade do planeta alterou a trajetória da espaçonave e forneceu um impulso para a continuação da viagem, reduzindo o propelente que seria necessário para fazer essa correção por conta própria.
O sobrevoo também foi uma oportunidade para testar e calibrar os instrumentos científicos. As câmeras, o magnetômetro e o espectrômetro de raios gama e nêutrons foram ligados durante a passagem. O magnetômetro mede campos magnéticos; o espectrômetro analisa sinais que ajudam a investigar a composição dos materiais. A equipe também praticou procedimentos que serão importantes quando a sonda chegar ao seu alvo.
O que se sabe sobre o asteroide 16 Psyche
O asteroide Psyche foi descoberto em 1852 e recebeu esse nome em referência à figura da mitologia grega associada à alma. Como foi o 16.º asteroide identificado, também é conhecido como 16 Psyche. Ele tem formato irregular e mede aproximadamente 280 quilômetros em sua maior largura.
Durante muito tempo, cientistas consideraram que Psyche poderia ser composto quase inteiramente de metal. As observações mais recentes, porém, apontam para uma composição provavelmente formada por uma mistura de rocha e metal. As estimativas indicam que os metais podem representar entre 30% e 60% de seu volume. A composição exata ainda não é conhecida: será uma das questões que a missão tentará esclarecer de perto.
Uma hipótese é que Psyche seja o núcleo, ou parte do núcleo, de um planetesimal — um corpo antigo que participou da formação dos planetas. Se essa interpretação estiver correta, estudar o asteroide poderá oferecer pistas sobre os processos que formaram os interiores metálicos da Terra e de outros planetas rochosos. Mas há outras possibilidades, e os dados coletados pela sonda serão necessários para entender melhor a origem e a natureza do objeto.
Do encontro à investigação em órbita
A chegada de Psyche ao asteroide está prevista para agosto de 2029. A espaçonave deverá entrar em órbita e observar o objeto de diferentes altitudes, mapeando sua superfície e recolhendo dados sobre sua composição e propriedades. Entre os instrumentos a bordo estão câmeras multiespectrais, um magnetômetro e um espectrômetro de raios gama e nêutrons.
Ao estudar Psyche de perto, os pesquisadores poderão comparar as observações feitas à distância com medições diretas no ambiente do asteroide. A missão não pretende explorar um destino que represente uma ameaça à Terra, mas investigar um mundo pouco conhecido e testar ideias sobre os materiais que participaram da formação dos planetas.
Até o encontro, a sonda seguirá usando energia solar para manter os propulsores em funcionamento e percorrer o espaço interplanetário. O impulso é discreto a cada instante, mas, acumulado ao longo da viagem, levará a missão ao seu destino no cinturão de asteroides.
Fontes: NASA — atualização sobre a propulsão da sonda Psyche; NASA — visão geral da missão; NASA — informações sobre o asteroide 16 Psyche; NASA — passagem da sonda Psyche por Marte.