Roman avança nos testes do coronógrafo e registra estrelas em outra galáxia

O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, avançou na preparação de seu coronógrafo, instrumento desenvolvido para reduzir o brilho das estrelas e facilitar a observação de objetos muito mais tênues ao redor delas. Em setembro, o equipamento recebeu luz cósmica pela primeira vez e registrou estrelas na Grande Nuvem de Magalhães.

A novidade dá continuidade à matéria publicada anteriormente pelo Space News Pb, que abordou a ativação da câmera principal do Roman e os primeiros fótons de estrelas captados por ela. Agora, o foco está nos testes do sistema que mantém o telescópio apontado com extrema precisão e na primeira observação feita com o coronógrafo.

Telescópio precisa permanecer extremamente estável

Entre 15 e 21 de setembro, a equipe testou o sistema de orientação fina do Roman. Ele acompanha estrelas de referência com posições conhecidas e envia informações ao sistema de controle da nave, que corrige pequenos desvios. Sem esses ajustes contínuos, o telescópio poderia perder o alvo ou produzir imagens menos nítidas.

O sistema monitora as estrelas-guia cerca de quatro vezes por segundo. Nos testes, o Roman manteve estabilidade melhor que um centésimo de milésimo de grau por até meia hora nas observações da câmera Wide Field Instrument e por até oito horas durante observações com o coronógrafo.

A NASA comparou a precisão atual a manter um laser apontado para uma moeda de dez centavos a aproximadamente 240 quilômetros de distância. A equipe pretende ajustar ainda mais o sistema, com a meta de elevar esse desempenho.

Primeira observação do coronógrafo

Em 22 de setembro, o coronógrafo recebeu luz do espaço pela primeira vez. Durante os testes, registrou uma estrela tênue na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha à Via Láctea. Depois, com os detectores resfriados para melhorar a sensibilidade, os pesquisadores observaram outra região onde esperavam encontrar várias estrelas — e conseguiram registrá-las em uma imagem.

As imagens fazem parte da verificação do equipamento e ainda não são observações científicas definitivas. Na primeira etapa, os detectores foram mantidos em uma temperatura mais alta para evitar que contaminantes se depositassem neles, condição que também deixou ruído nos registros.

O resultado mais importante, por enquanto, é a confirmação de que a luz atravessa o sistema e que o instrumento consegue apontar para a região esperada. A equipe ainda precisa ajustar o foco, a estabilidade e outros parâmetros antes de usar o coronógrafo em observações mais complexas.

Ainda não é uma descoberta de exoplaneta

O coronógrafo foi projetado para bloquear parte da luz de estrelas próximas e, assim, ajudar a observar planetas e discos de poeira que seriam ofuscados pelo brilho estelar. Como os planetas são muito mais tênues do que as estrelas que orbitam, pequenas vibrações ou falhas de apontamento podem deixar a luz da estrela escapar e prejudicar a observação.

Por isso, a primeira imagem de uma estrela não significa que o Roman já tenha detectado um exoplaneta. A etapa atual é de testes e calibração. A NASA também pretende validar um método de orientação que utiliza padrões de comprimento de onda da luz, chamados espectros, para ajudar o telescópio a manter seus alvos no campo de visão.

O avanço mostra que os sistemas necessários para observações de alta precisão estão sendo testados em conjunto. À medida que o comissionamento continuar, o coronógrafo poderá demonstrar tecnologias importantes para estudar mundos distantes e estruturas de poeira ao redor de outras estrelas.

Fontes consultadas: NASA — testes do sistema de orientação e primeira observação do coronógrafo ; Space News Pb — ativação da câmera principal do Roman .