Uma pulseira científica, parecida com um relógio de pulso, foi levada pelos astronautas da Artemis II para acompanhar padrões de sono, atividade corporal e exposição à luz. Chamado actígrafo, o aparelho foi desenvolvido pela startup paulista Condor Instruments com base em pesquisas ligadas à Universidade de São Paulo (USP).
Como funciona o actígrafo
O aparelho registra continuamente os movimentos do corpo, a exposição à luz em diferentes faixas do espectro e a temperatura corporal. Com esses dados, pesquisadores podem estimar períodos de repouso e atividade e estudar os ritmos circadianos — os ciclos biológicos que regulam funções como o sono e a vigília.
O actígrafo não mede o sono como um exame clínico. Ele reúne indicadores, como movimento, luz e temperatura, que ajudam a equipe científica a analisar os padrões de descanso e alerta. Um de seus recursos é detectar luz azul-ciano, que pode influenciar o relógio biológico e a produção de melatonina, hormônio ligado ao sono.
A tecnologia brasileira na missão
A participação do equipamento ocorreu por meio do estudo Archer, sigla em inglês para Pesquisa Artemis de Saúde e Prontidão da Tripulação. A NASA iniciou o projeto em 2023 para acompanhar o bem-estar, a atividade e os padrões de sono dos astronautas, além de investigar como o ambiente da cápsula Orion afeta a tripulação.
Segundo reportagem do Jornal da USP, a agência procurou no mercado equipamentos capazes de monitorar esses fatores e submeteu o dispositivo da Condor Instruments a testes de segurança, confiabilidade e qualidade dos dados. Os astronautas já haviam usado o aparelho em testes antes da missão; a confirmação de que ele embarcaria na Artemis II chegou à equipe brasileira no dia do lançamento.
A pulseira também tem um botão para marcar momentos específicos. Durante a missão, os astronautas puderam registrar acontecimentos importantes, como o momento em que a Orion atingiu, em 6 de abril, a maior distância da Terra já alcançada por seres humanos.
Da pesquisa ao espaço
A tecnologia nasceu de estudos sobre cronobiologia — a ciência dos ritmos biológicos — associados ao trabalho de Mario Pedrazzoli Neto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Engenheiros ligados à USP transformaram os primeiros protótipos em um produto comercial pela Condor Instruments, com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os dados coletados na Artemis II serão comparados com testes de coordenação motora e questionários respondidos antes e depois do voo. A análise poderá ajudar pesquisadores a compreender melhor como as condições de uma missão espacial afetam a tripulação e contribuir para o planejamento de futuras espaçonaves. Isso não significa, por si só, que o mesmo equipamento já esteja confirmado para voos posteriores do programa Artemis.
O Space News Pb também publicou uma matéria sobre outro resultado da missão: a divulgação, pela NASA, de mais de 800 gigabytes de dados científicos lunares da Artemis II. Leia aqui.
Fontes consultadas: