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| Imagens dos seis locais de pouso Apollo feitas pela câmera LROC, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter. Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University. |
O Eagle não voltou inteiro à Terra
Na Apollo 11, o módulo lunar Eagle era formado por duas partes. O estágio de descida — com as pernas e o motor que permitiram o pouso — permaneceu na Lua. Ele também serviu como plataforma de lançamento para o estágio de ascensão, que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin de volta à órbita lunar para reencontrar Michael Collins, a bordo do módulo de comando Columbia.
Por isso, dizer que “o Eagle ficou na Lua” precisa de uma ressalva: **foi o estágio de descida que permaneceu na superfície**, não a nave inteira. O mesmo princípio foi usado nas outras missões Apollo que pousaram no satélite. A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA, fotografou os locais e registrou módulos, equipamentos e trilhas deixadas pelos astronautas.
A bandeira e o mistério sobre o que aconteceu com ela
Em 20 de julho de 1969, Armstrong e Aldrin fincaram uma bandeira dos Estados Unidos perto do Eagle. Como a Lua praticamente não tem atmosfera, a bandeira recebeu uma haste horizontal para ficar estendida e parecer ondular nas imagens — não havia vento para fazê-la tremular.
O destino da bandeira da Apollo 11 é incerto. Buzz Aldrin relatou que viu o jato do módulo lunar derrubá-la durante a decolagem. Ela não pode ser vista nas imagens orbitais, e a NASA considera provável que já não esteja de pé. Nas fotos dos locais das missões Apollo 12, 16 e 17, as bandeiras parecem continuar erguidas; a situação das bandeiras das Apollo 14 e 15 não pôde ser determinada com segurança.
A fotografia de família deixada por Charles Duke
Uma das lembranças mais pessoais foi deixada pelo astronauta Charles Duke durante a missão Apollo 16. Ele levou à Lua uma fotografia sua com a esposa, Dotty, e os filhos, Charles e Tom. A imagem foi assinada e colocada dentro de uma capa plástica antes de ser deixada na superfície.
O gesto transformou uma fotografia comum em um dos objetos mais íntimos da exploração lunar: uma lembrança da família que esperava o astronauta de volta na Terra. Diferentemente dos instrumentos científicos, ela não tinha uma função operacional; era uma recordação pessoal de Duke.
Experimentos, rovers e outras lembranças
Nem todos os objetos deixados eram simbólicos. As missões Apollo 11, 14 e 15 instalaram conjuntos de refletores que devolvem pulsos de laser enviados da Terra. Esses instrumentos continuam sendo usados para medir com grande precisão a distância entre os dois mundos. As medições mostram, entre outros resultados, que a Lua se afasta da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano.
As Apollo 15, 16 e 17 também usaram rovers elétricos para explorar áreas mais distantes dos módulos. Os veículos ficaram estacionados na Lua quando as equipes partiram. O Space News Pb já contou a história da Apollo 15, a primeira missão a usar um rover lunar.
Há ainda objetos menos convencionais. A Apollo 11 deixou um pequeno disco de silício com mensagens de boa vontade de líderes de 73 países. Na Apollo 14, Alan Shepard levou um taco improvisado e acertou duas bolas de golfe na superfície lunar. Elas também ficaram por lá.
Uma coleção de vestígios da exploração lunar
As missões tripuladas não foram as únicas a deixar equipamentos na Lua. Sondas robóticas norte-americanas e soviéticas também chegaram à superfície, e seus locais estão entre os pontos de interesse para a exploração lunar. Imagens da Lunar Reconnaissance Orbiter mostram vestígios maiores nos locais Apollo, embora não tenham resolução para revelar cada objeto pequeno.
Sem vento e chuva como os da Terra, pegadas e marcas podem permanecer visíveis por muito tempo. A superfície lunar, porém, não conserva tudo perfeitamente: os objetos ficam expostos a variações extremas de temperatura, radiação e impactos de partículas pequenas.
O módulo Eagle, as bandeiras, os experimentos, os veículos e a fotografia de Charles Duke contam partes diferentes da mesma história. Juntos, esses vestígios fazem da Lua um registro material das missões que levaram seres humanos à sua superfície — e lembram que a exploração espacial deixou ali tanto ferramentas científicas quanto marcas profundamente humanas.
