NASA testa baterias de estado sólido para enfrentar o frio extremo da Lua

Pesquisadores da NASA estão desenvolvendo baterias de estado sólido para futuras missões à Lua. Em testes, pequenas células experimentais continuaram funcionando até −80 °C, embora com desempenho reduzido nessa temperatura. Elas também sobreviveram sem danos à exposição a temperaturas ainda menores — mas isso não significa que consigam gerar energia enquanto estão a −170 °C.

Yi Lin, pesquisador da NASA, segura uma pequena célula de bateria após testes térmicos em vácuo
Yi Lin, responsável pelos testes e pesquisas do projeto SPEARS na NASA Langley, segura uma célula de bateria após os ensaios térmicos. Crédito: NASA/Ryan Hill.

O desafio das noites lunares

Em algumas regiões do polo sul lunar, a temperatura durante a noite pode cair até cerca de −200 °C. O frio extremo é um problema para baterias convencionais de íons de lítio, que usam um eletrólito líquido — substância que permite o movimento de partículas carregadas dentro da bateria. Em temperaturas muito baixas, esse líquido pode congelar e comprometer o funcionamento do equipamento.

Para enfrentar o desafio, a NASA pesquisa uma alternativa em que o eletrólito é sólido, feito de materiais à base de cerâmica ou polímeros. A agência estuda essa tecnologia no projeto SPEARS, sigla em inglês para “Energia Sólida para Adaptabilidade e Resiliência em Ambientes Extremos no Espaço”.

O que os testes demonstraram

As pequenas células do projeto foram submetidas a testes térmicos em vácuo no Centro de Pesquisa Langley, na Virgínia. Segundo a NASA, elas operaram bem até −60 °C e também em temperaturas de até 80 °C. A −80 °C, ainda funcionaram, mas com uma queda de desempenho.

Em outro ensaio, as baterias foram expostas a temperaturas entre 100 °C e −170 °C sem sofrer danos. Esse resultado demonstra que as células resistiram à exposição, não que permaneceram operando em toda essa faixa. A própria NASA informa que, depois de um frio tão intenso, elas precisam ser aquecidas antes de voltar a funcionar.

A proposta é que pequenos aquecedores elevem a temperatura das baterias apenas quando necessário, sem mantê-las aquecidas o tempo todo. Se essa abordagem for validada, poderá reduzir a necessidade de sistemas térmicos pesados em veículos e equipamentos lunares.

Protótipos ainda em desenvolvimento

O projeto começou em 2026 e está em uma fase inicial de desenvolvimento tecnológico. A NASA avalia possíveis usos em veículos robóticos, ferramentas para exploração, equipamentos de emergência para astronautas e instrumentos científicos. Essas são aplicações futuras possíveis, não equipamentos já confirmados para uma missão lunar.

A NASA Ames também trabalha em placas de teste e componentes eletrônicos para preparar a tecnologia para testes em ambientes espaciais. Antes de ser considerada pronta para uso na Lua, a bateria ainda precisará passar por novas avaliações de desempenho, segurança e confiabilidade.

O avanço é promissor, mas há uma diferença importante entre sobreviver a uma exposição a −170 °C e produzir energia nessa temperatura. Até agora, os protótipos demonstraram funcionamento até −80 °C — ainda bem acima do frio que pode ocorrer durante a noite no polo sul lunar.

Fonte: NASA — baterias para apoiar o retorno humano à Lua

Transparência: texto elaborado com apoio de inteligência artificial; informações conferidas na fonte oficial da NASA.