A missão japonesa MMX tem lançamento previsto para a próxima segunda-feira, 19 de outubro, rumo às luas de Marte. O objetivo é estudar Fobos de perto, coletar material de sua superfície e trazer amostras à Terra — uma iniciativa que pode ajudar a esclarecer como as pequenas luas marcianas se formaram.
De acordo com o cronograma divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) em 13 de outubro, a decolagem está prevista para as 16h41, no horário de Brasília, a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão. A missão será lançada por um foguete H3; a data e o horário ainda podem mudar.
Concepção artística da espaçonave MMX durante uma manobra de inserção em órbita de Marte. Crédito: JAXA.
Conhecida como Martian Moons eXploration (Exploração das Luas de Marte), a MMX é liderada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), em colaboração com a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA), a agência espacial francesa CNES e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
Uma missão pioneira em Fobos
A MMX será a primeira espaçonave a entrar em uma órbita quase-satélite de Fobos, uma trajetória que permitirá acompanhar a lua marciana de perto. Também será a primeira missão planejada para coletar amostras de uma lua que não seja a nossa e trazê-las de volta à Terra.
O plano prevê que a nave estude Fobos à distância e depois libere o rover Idefix, que irá até a superfície. Em seguida, a própria espaçonave deverá pousar para recolher material. A missão transporta 11 instrumentos científicos: sete ficam na nave principal e quatro no rover.
Depois de deixar Fobos com as amostras, a MMX deverá passar por Deimos, a outra lua de Marte, e pelo próprio planeta antes de iniciar o retorno à Terra. Operar tão perto de Fobos é um desafio: sua gravidade é extremamente baixa, por isso a missão usa tecnologias desenvolvidas para pousar, se deslocar e coletar material nesse ambiente.
O que as amostras podem revelar
Os cientistas ainda não sabem ao certo como Fobos e Deimos se formaram. Uma hipótese é que sejam asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra propõe que as duas luas tenham se formado a partir de detritos lançados ao espaço após um grande impacto na superfície do planeta.
Analisar amostras em laboratórios na Terra permitirá medições mais detalhadas do que as realizadas por instrumentos enviados em uma espaçonave. Os resultados poderão ajudar a testar as hipóteses sobre a origem das luas e ampliar o conhecimento sobre a evolução de Marte e do Sistema Solar.
O Space News Pb já abordou o debate sobre a origem das luas marcianas em uma matéria anterior, atualizada em outubro de 2026. A MMX acrescenta uma nova etapa à investigação: em vez de depender apenas de observações à distância, a missão pretende trazer material de Fobos para estudo direto.
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