Astrônomos encontram indícios de possível lua gigante fora do Sistema Solar
Astrônomos encontraram fortes indícios de um objeto com massa semelhante à de Júpiter orbitando uma anã marrom — um corpo maior que um planeta, mas que não tem massa suficiente para manter as reações que fazem uma estrela brilhar. Se a interpretação for confirmada, poderá ser o primeiro satélite natural identificado fora do Sistema Solar. Por enquanto, porém, os pesquisadores tratam o objeto como um candidato a exossatélite.
Ilustração artística do sistema CD-35 2722. O objeto no centro, candidato a exossatélite, orbita uma anã marrom, que por sua vez orbita uma estrela. Crédito: ESO/M. Kornmesser.
Um sistema diferente do nosso
O sistema CD-35 2722 fica em torno de uma estrela com aproximadamente metade da massa do Sol. Ao redor dela orbita uma anã marrom com cerca de 37 vezes a massa de Júpiter. Embora seja muito mais massiva que um planeta gigante, a anã marrom não tem massa suficiente para sustentar por muito tempo a fusão de hidrogênio que alimenta estrelas como o Sol.
Os dados indicam que outro objeto, com massa mínima estimada em 0,743 vezes a de Júpiter, pode estar orbitando essa anã marrom. Isso cria uma configuração incomum: o possível satélite não gira diretamente ao redor da estrela, mas de um corpo intermediário que também percorre uma órbita ao redor dela.
É por isso que os pesquisadores usam o termo exossatélite: um satélite natural situado fora do Sistema Solar. Como o objeto teria massa comparável à de um planeta gigante, classificá-lo como “lua” não é simples. Os astrônomos ainda não têm uma definição universal para esses casos.
A detecção veio de um pequeno movimento
A equipe usou o instrumento CRIRES+, instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. Em vez de fotografar diretamente o possível satélite, os cientistas procuraram mudanças muito pequenas no movimento da anã marrom.
O método é chamado de velocidade radial. Quando dois corpos orbitam um ao outro, a gravidade faz com que ambos se movam em torno de um centro de massa comum. Esse movimento pode produzir alterações discretas na luz observada do corpo maior. Ao analisar essas variações, os pesquisadores encontraram um sinal periódico que pode ser explicado pela presença do objeto em órbita.
O candidato mais robusto teria um período orbital de aproximadamente 169 dias. A análise também sugere um segundo possível satélite, com massa mínima de 0,277 vezes a de Júpiter e período de cerca de 87 dias. Mas os parâmetros desse segundo objeto são menos seguros; sua existência precisa de confirmação.
Uma candidata, não uma descoberta confirmada
Embora o sinal seja considerado uma evidência forte, ainda não basta para afirmar que uma lua fora do Sistema Solar foi confirmada. A interpretação terá de ser testada com novas observações e análises independentes, capazes de verificar se o movimento medido é realmente causado por um satélite.
A cautela é importante porque a busca por exoluas — luas que orbitam planetas de outras estrelas — tem sido difícil. Há possíveis candidatas em estudos anteriores, mas nenhuma foi aceita de forma consensual como uma detecção definitiva. Neste caso, o objeto também desafia as categorias habituais: tem massa de planeta, mas orbitaria uma anã marrom em vez de uma estrela.
O que o sistema pode revelar
Se confirmado, o sistema CD-35 2722 poderá ajudar a investigar como corpos de grande massa se formam e evoluem em torno de anãs marrons. A descoberta também mostraria que sistemas planetários podem apresentar arranjos diferentes daqueles observados ao redor do Sol — e que os nomes usados para classificar planetas e luas nem sempre dão conta dessas configurações.
Por ora, o resultado representa uma possível primeira detecção de um exossatélite, não a confirmação definitiva de uma lua extrassolar. Novas observações deverão ajudar a determinar se o sinal realmente revela um companheiro em órbita e se há outros corpos no sistema.
Fontes:
Observatório Europeu do Sul (ESO) — comunicado sobre o possível exossatélite
Artigo científico — Planetary-Mass Exosatellite Detected Around the Substellar Companion of a Star
Nature — artigo de pesquisa