Artemis II: astronautas relatam o assombro de ver o lado oculto da Lua
Ao contornar a Lua, os astronautas da missão Artemis II viram de perto paisagens que nenhum ser humano havia observado diretamente antes. A experiência foi difícil de traduzir em palavras: a astronauta Christina Koch disse que a superfície parecia diferente da Lua que conhecia da Terra, enquanto o comandante Reid Wiseman descreveu a vista como “indescritível”.
Uma Lua que parecia fora do lugar
Durante uma entrevista concedida de dentro da espaçonave Orion, Koch comentou que as áreas escuras da superfície não apareciam na posição que ela esperava. “Algo em você percebe que essa não é a Lua que está acostumada a ver”, relatou a astronauta, segundo a NBC News.
A diferença vinha do ponto de vista. Da Terra, observamos principalmente o lado próximo da Lua. Durante o sobrevoo, a tripulação pôde acompanhar de perto regiões do lado oculto — a face que fica voltada para longe do nosso planeta — e notar como o relevo se apresentava sob outra perspectiva e iluminação.
Em conversa após o sobrevoo, Wiseman resumiu a impressão da tripulação: “Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo a Apollo”. A frase se refere a trechos da superfície observados diretamente por pessoas pela primeira vez. Sondas já haviam fotografado o lado oculto muito antes da Artemis II; portanto, não era uma região desconhecida para a ciência.
Quarenta minutos sem contato com a Terra
Em 6 de abril, a Orion passou por trás da Lua e ficou cerca de 40 minutos sem comunicação com a Terra. A interrupção era prevista: o próprio satélite bloqueou os sinais de rádio entre a nave e as antenas que mantinham contato com a missão.
Quando a comunicação foi restabelecida, Koch disse que era muito bom ouvir a Terra novamente. A tripulação tinha acabado de atravessar uma parte especialmente marcante do voo e ainda faria observações durante o sobrevoo lunar.
A Lua, a Terra e um eclipse vistos do espaço
Os astronautas registraram crateras, antigas planícies de lava e fraturas na superfície lunar. Também relataram diferenças de cor, brilho e textura — detalhes que ajudam a interpretar a composição e a história geológica da Lua. A NASA informou que as descrições feitas pela tripulação complementam as fotografias e outros dados científicos da missão.
O sobrevoo ainda proporcionou uma visão incomum da Terra desaparecendo atrás do horizonte lunar, fenômeno chamado de “Earthset”. A imagem que acompanha esta matéria foi feita pela tripulação em 6 de abril de 2026. Mais tarde, os astronautas também observaram um eclipse solar total a partir da Orion, com a Lua encobrindo o Sol.
O impacto da experiência
O assombro dos astronautas não veio apenas de ver uma paisagem inédita para olhos humanos. A distância, a perspectiva da Terra e a passagem pelo silêncio de rádio tornaram o sobrevoo uma experiência ao mesmo tempo científica e pessoal. Para os pesquisadores, os relatos da tripulação ajudam a entender o que chamou a atenção dos observadores no local; para o público, dão dimensão humana a uma viagem que, por alguns minutos, levou quatro pessoas para além do alcance direto das comunicações terrestres.
A NASA já divulgou milhares de imagens e outros registros científicos da Artemis II. O Space News Pb publicou uma matéria sobre a liberação desse conjunto de dados, que poderá ser examinado por cientistas e pelo público.
Fontes: NASA — imagens e observações do sobrevoo lunar da Artemis II; NASA — imagem “Earthset”; NBC News — entrevista com a tripulação sobre o lado oculto; BBC News Brasil — relatos dos astronautas após o sobrevoo.