Anã branca pode estar absorvendo material de um planeta de segunda geração

A composição química incomum de uma anã branca próxima pode ser a pista de um tipo raro de mundo: um possível planeta de “segunda geração”, formado depois que sua estrela original passou pela fase de gigante vermelha. A hipótese foi apresentada em um estudo publicado em outubro na revista Nature Astronomy, mas o planeta ainda não foi confirmado.

Ilustração artística de uma anã branca recebendo material de um corpo planetário
Ilustração artística de outro sistema com uma anã branca. A imagem não representa a estrela estudada no artigo. Crédito: NASA, Tim Pyle (NASA/JPL-Caltech).

Uma composição diferente da encontrada em rochas conhecidas

A estrela investigada, HS 0209+0832, fica a cerca de 270 anos-luz da Terra. Anãs brancas são os núcleos densos que restam depois que estrelas semelhantes ao Sol esgotam seu combustível e expelem suas camadas externas.

Em geral, quando astrônomos encontram elementos pesados na atmosfera de uma anã branca, eles interpretam o sinal como material de corpos planetários destruídos — por exemplo, asteroides. No caso de HS 0209+0832, porém, a proporção dos elementos é incomum: há enriquecimento de elementos como zinco, cobre e nióbio, enquanto elementos comuns em rochas, como silício e ferro, aparecem em menor quantidade.

Essa mistura não corresponde bem aos materiais conhecidos do Sistema Solar. Os pesquisadores propõem que ela pode vir da atmosfera que escapa de um planeta gigante em evaporação e está sendo atraída pela anã branca.

Como um planeta poderia surgir depois da estrela?

Quando uma estrela envelhece e se expande como gigante vermelha, ela pode expelir parte de seu material para o espaço. Segundo uma das interpretações apresentadas no estudo, esse material poderia, em certas condições, participar da formação de novos planetas. Um mundo formado desse modo seria chamado de planeta de segunda geração, por surgir depois da fase principal de vida da estrela.

Os cientistas também identificaram uma variação periódica no brilho do sistema, com um ciclo de aproximadamente 4,4 dias. Ela pode ser compatível com mudanças entre o lado diurno e noturno de um planeta próximo à estrela, mas os autores também consideram outras explicações, como a cauda de um cometa em trânsito. Portanto, esse sinal, sozinho, não comprova a existência do planeta.

Uma hipótese que ainda precisa ser testada

O estudo não apresenta uma imagem direta de um planeta. A hipótese se baseia na composição do material que está sendo absorvido pela anã branca e em sinais de variação de brilho. Os próprios pesquisadores descrevem o mundo como um candidato: novas observações serão necessárias para avaliar se a explicação planetária é a correta.

Se confirmada, a descoberta indicaria que a formação de planetas pode continuar mesmo depois de grandes transformações na estrela que os abriga. Por enquanto, o resultado oferece uma evidência promissora — não uma confirmação — de que sistemas planetários podem ter uma história mais longa e complexa do que se imaginava.


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