James Webb faz primeiro mapa em 3D da atmosfera superior de Urano e revela auroras !!

Observações mostram como a temperatura e as partículas carregadas mudam nas camadas mais altas do planeta, além de revelar o efeito de seu campo magnético inclinado.

O planeta Urano ficou ainda mais misterioso. Pela primeira vez, astrônomos conseguiram mapear em três dimensões a estrutura vertical de sua atmosfera superior usando o Telescópio Espacial James Webb.

As observações revelaram duas faixas brilhantes de auroras próximas aos polos magnéticos do planeta e ajudaram os cientistas a entender como a energia se movimenta nas camadas mais elevadas de Urano.
O estudo foi divulgado em 19 de fevereiro de 2026 e publicado na revista Geophysical Research Letters.

Uma atmosfera observada de cima para baixo.
A pesquisa foi conduzida com o instrumento NIRSpec, do James Webb. O telescópio observou Urano durante aproximadamente uma rotação completa, em uma sessão de 15 horas realizada em 19 de janeiro de 2025.
Os pesquisadores conseguiram analisar uma região que se estende até cerca de 5 mil quilômetros acima do topo das nuvens. Essa camada é chamada de ionosfera, uma parte da atmosfera onde partículas são carregadas eletricamente e interagem intensamente com o campo magnético do planeta.
O resultado é o retrato mais detalhado já obtido da atmosfera superior de Urano. Os dados mostram que a temperatura atinge seus maiores valores entre 3 mil e 4 mil quilômetros de altitude, enquanto a maior concentração de íons ocorre por volta de 1 mil quilômetros.

Auroras diferentes das da Terra

As auroras de Urano são produzidas quando partículas energéticas são conduzidas pelo campo magnético e atingem a atmosfera. O processo é parecido com o que provoca as auroras boreais e austrais na Terra, mas ocorre em condições muito mais extremas.
Duas faixas brilhantes foram identificadas próximas aos polos magnéticos do planeta. Entre elas, os cientistas também observaram uma região com menor emissão e menor densidade de íons, provavelmente relacionada à forma como as linhas do campo magnético mudam de direção.
Essas auroras não aparecem exatamente como as luzes coloridas vistas no céu terrestre. O brilho observado em Urano ocorre principalmente em comprimentos de onda infravermelhos, que não podem ser vistos pelo olho humano. O James Webb consegue detectar essa radiação e transformá-la em dados e imagens para estudo.

O campo magnético mais estranho do Sistema Solar?

Urano já é um planeta incomum por girar praticamente de lado. Seu eixo de rotação é muito inclinado em relação ao plano de sua órbita.
O campo magnético do planeta também é inclinado e deslocado em relação ao eixo de rotação. Essa combinação faz com que as auroras percorram a atmosfera de maneira complexa, acompanhando uma magnetosfera diferente da encontrada nos demais planetas gigantes.

É a primeira vez que conseguimos observar a atmosfera superior de Urano em três dimensões, explicou Paola Tiranti, da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, que liderou o estudo.

Atmosfera de Urano está esfriando
Os dados do Webb também indicam que a atmosfera superior de Urano continua esfriando desde a década de 1990. A temperatura média medida foi de aproximadamente 426 kelvins, o equivalente a cerca de 150 graus Celsius.
Embora esse valor pareça extremamente alto, ele é inferior ao registrado em observações anteriores feitas por telescópios terrestres e por sondas espaciais.
O resfriamento pode ajudar os pesquisadores a compreender como os planetas gigantes de gelo, como Urano e Netuno, distribuem energia em suas atmosferas. Esse conhecimento também pode ser útil para estudar planetas semelhantes que orbitam outras estrelas.

Por que estudar Urano é importante?

Urano recebeu apenas uma visita direta: a sonda Voyager 2, que passou pelo planeta em 1986. Por isso, muitas características de sua atmosfera, de seus anéis e de suas luas continuam pouco conhecidas.
Cada nova observação do James Webb ajuda a preencher essas lacunas. Ao estudar as auroras, os cientistas também conseguem investigar o interior da magnetosfera e a maneira como o planeta interage com o ambiente espacial ao seu redor.
O novo mapa em três dimensões mostra que Urano não é apenas um mundo frio e distante. É um planeta dinâmico, com uma atmosfera ativa, um campo magnético desconcertante e fenômenos que ainda desafiam os modelos usados para explicar os gigantes do Sistema Solar.

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