El Niño se fortalece e pode ser um dos mais intensos desde 1950

O fenômeno El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico Equatorial e pode se tornar um dos episódios mais intensos já registrados desde o início das medições modernas.
De acordo com uma atualização recente da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, existe 75% de probabilidade de que o El Niño entre outubro e dezembro seja o mais forte desde 1950. A previsão considera a possibilidade de o aquecimento das águas do Pacífico ultrapassar 2,5 °C em algumas áreas.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam anormalmente quentes. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

As observações mais recentes mostram que o aquecimento já é bastante expressivo. Em algumas áreas do Pacífico Equatorial, as temperaturas estão mais de 3 °C acima da média.
Na região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas usadas pelos meteorologistas para acompanhar o fenômeno, a anomalia chegou a aproximadamente 1,8 °C. Já na região Niño 3, mais próxima da América do Sul, o aquecimento alcançou cerca de 2,8 °C.

A Climatempo informou que as condições atuais já são compatíveis com um El Niño de intensidade muito forte. Porém, existe uma diferença entre o aquecimento observado em determinado momento e a classificação oficial do fenômeno.
A categorização definitiva utiliza médias calculadas ao longo de vários meses. Por isso, pode haver um atraso entre a intensificação real do oceano e o reconhecimento oficial da categoria do evento.

Previsão para o Brasil
O terceiro boletim do Painel El Niño 2026–2027, elaborado por instituições como INPE, INMET, CEMADEN, ANA e Defesa Civil, aponta que o fenômeno poderá permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
Para o trimestre formado por setembro, outubro e novembro, a previsão indica:

•Chuvas acima da média em áreas da Região Sul.
•Possibilidade de temporais e cheias no Rio Grande do Sul.
•Chuvas abaixo da média em grande parte do Norte e do Nordeste.
•Temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil.
•Maior risco de déficit hídrico e incêndios em áreas da Amazônia e do Pantanal.

No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos podem ser mais irregulares, com períodos de calor, pancadas de chuva mal distribuídas e alterações na passagem de frentes frias.
Nordeste pode enfrentar período mais seco
A previsão de chuvas abaixo da média no Norte e no Nordeste é um dos pontos que mais preocupam os meteorologistas. No entanto, isso não significa que todas as áreas terão seca permanente ou ausência total de chuva.
Os efeitos do El Niño dependem da interação entre o oceano, a atmosfera e outros sistemas meteorológicos. Portanto, a intensidade das chuvas pode variar entre os estados e ao longo das semanas.

Na Paraíba e nos demais estados nordestinos, o acompanhamento das previsões atualizadas será importante, principalmente para a agricultura, o abastecimento de água e a prevenção de queimadas.

Um evento histórico?

Embora as projeções indiquem um El Niño excepcionalmente forte, os especialistas ressaltam que ainda é cedo para afirmar que ele será definitivamente o mais intenso da história.

A atmosfera precisa responder de forma persistente ao aquecimento do Pacífico para que o fenômeno alcance seus efeitos máximos. Além disso, a intensidade do El Niño não determina sozinha o clima de cada região: outros sistemas meteorológicos também influenciam a distribuição das chuvas.

Mesmo assim, os dados atuais justificam atenção. Um El Niño muito forte, em um planeta que já apresenta temperaturas elevadas por causa do aquecimento global, pode aumentar a probabilidade de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos.

As instituições brasileiras continuarão atualizando o monitoramento do fenômeno e recomendam que a população acompanhe os avisos oficiais dos órgãos meteorológicos e da Defesa Civil.

Fontes: INPE, INMET, CEMADEN, NOAA e Climatempo.