A missão New Horizons revelou uma superfície de Plutão muito mais dinâmica do que se imaginava antes da passagem da sonda, em 2015. Uma das hipóteses discutidas desde então é a existência de água líquida sob a crosta congelada do planeta anão. Essa possibilidade é apoiada por observações da superfície e por modelos de sua estrutura interna, mas o oceano não foi detectado diretamente.
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| Plutão visto pela missão New Horizons em uma imagem com cores realçadas. |
O que Sputnik Planitia pode revelar
Sputnik Planitia, a grande região clara em forma de coração, é uma bacia de impacto preenchida principalmente por gelo de nitrogênio. Sua localização, quase oposta a Caronte, e sua anomalia gravitacional foram consideradas em modelos que investigam a possibilidade de um oceano sob a camada de gelo. A distribuição de massa no interior de Plutão poderia ajudar a explicar esse alinhamento.
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| Detalhe da superfície de Plutão e da região de Sputnik Planitia. |
O que poderia manter água líquida?
O calor interno de Plutão, incluindo o produzido pelo decaimento de elementos radioativos no interior rochoso, é considerado nos modelos de sua evolução térmica. Algumas hipóteses também avaliam se substâncias como sais ou amônia poderiam reduzir a temperatura de congelamento da água e ajudar a manter líquido um reservatório sob a crosta. A composição e o estado desse possível oceano não são conhecidos.
A comparação com um refrigerante “semicongelado” não descreve uma observação feita em Plutão. A existência de uma mistura pastosa ou muito viscosa é uma possibilidade que dependeria da composição e das condições internas; não se sabe se esse é o estado real do material.
Nitrogênio congelado na superfície
O nitrogênio que molda parte da paisagem de Plutão não permanece líquido na superfície: nas temperaturas extremamente baixas do planeta anão, ele se encontra congelado. As observações indicam que o gelo de nitrogênio pode se deslocar lentamente, como geleiras, e que a superfície de Sputnik Planitia apresenta padrões associados à movimentação desse gelo.
Esse fluxo de gelo de nitrogênio é diferente de um oceano subterrâneo de água. Portanto, ele não demonstra, por si só, que exista uma fonte de calor mantendo água líquida no interior.
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