Sondas Voyager: onde estão em 2026?

Quase meio século depois do lançamento, as duas sondas da NASA continuam explorando o espaço interestelar. Seus instrumentos são desligados gradualmente para economizar energia, mas elas ainda enviam dados científicos à Terra — recebidos com um atraso de quase um dia.

Em 1977, a NASA lançou duas espaçonaves que acabariam se tornando as primeiras exploradoras da humanidade no espaço interestelar. A Voyager 2 partiu em 20 de agosto daquele ano, seguida pela Voyager 1, lançada em 5 de setembro. Apesar de ter sido enviada depois, a Voyager 1 viaja mais rápido e hoje é o objeto construído por seres humanos que está mais distante da Terra.

As duas sondas foram projetadas inicialmente para estudar os planetas gigantes do Sistema Solar. A Voyager 1 passou por Júpiter e Saturno. A Voyager 2 também visitou esses dois planetas, mas prosseguiu para Urano e Netuno — os únicos encontros de perto com esses mundos realizados por uma espaçonave até hoje. Depois dessas explorações, as sondas seguiram em direções diferentes rumo às regiões mais externas do ambiente solar.

A que distância estão?

As distâncias abaixo são as registradas pela página de acompanhamento da NASA em 4 de outubro de 2026. Elas são aproximadas e mudam continuamente à medida que as sondas avançam.

Sonda Distância da Terra Tempo de sinal, só na ida
Voyager 1 Cerca de 25,8 bilhões de km Quase 23 h 53 min
Voyager 2 Cerca de 21,5 bilhões de km Quase 19 h 58 min

Para ter uma ideia dessas distâncias, a luz leva pouco mais de um segundo para viajar entre a Terra e a Lua. Já a luz enviada pela Voyager 1 leva quase 24 horas para chegar até nós; a da Voyager 2, quase 20 horas. Esses intervalos são apenas de ida. Uma mensagem enviada da Terra e uma resposta recebida depois podem levar aproximadamente dois dias no caso da Voyager 1 e quase 40 horas no da Voyager 2.

Outra comparação usa a distância média entre a Terra e o Sol, chamada unidade astronômica. Uma unidade astronômica equivale a cerca de 150 milhões de quilômetros. A Voyager 1 está a aproximadamente 172 vezes essa distância; a Voyager 2, a cerca de 144 vezes.

A distância média entre a Terra e a Lua é de aproximadamente 384 mil quilômetros. Em uma comparação simples, a distância da Voyager 1 equivale a cerca de 67 mil distâncias Terra–Lua; a da Voyager 2, a cerca de 56 mil. Não é uma rota percorrida em linha reta entre a Terra e a Lua, mas uma maneira de visualizar a escala envolvida.

A NASA prevê que a Voyager 1 alcance, em novembro de 2026, uma distância de um dia-luz da Terra: cerca de 25,9 bilhões de quilômetros. Um dia-luz não é uma unidade de tempo nesse contexto; é a distância que a luz percorre em 24 horas. A sonda será o primeiro objeto construído por seres humanos a chegar a essa marca.

O que significa estar no espaço interestelar?

As duas Voyager já atravessaram a heliopausa, a fronteira onde a influência predominante do vento solar dá lugar ao ambiente interestelar. A Voyager 1 cruzou essa região em 2012; a Voyager 2, em 2018. O vento solar é um fluxo de partículas emitido pelo Sol, e a heliosfera é a enorme bolha criada por esse fluxo ao redor do Sistema Solar.

Atravessar a heliopausa não significa, porém, que as sondas tenham deixado para trás toda a região gravitacional do Sol. A fronteira da heliosfera marca o fim da bolha dominada pelo vento solar, não o limite completo do Sistema Solar. Regiões muito mais distantes, como a Nuvem de Oort, ainda fazem parte do território ligado gravitacionalmente ao Sol.

No espaço interestelar, as Voyager medem partículas, campos magnéticos e ondas no plasma — gás muito rarefeito composto por partículas carregadas. Esses dados ajudam os cientistas a estudar as condições além da heliosfera, uma região que nenhuma outra espaçonave já explorou diretamente.

As sondas ainda estão funcionando?

Sim, mas com capacidades reduzidas. As Voyager são alimentadas por geradores termoelétricos de radioisótopos. Eles convertem em eletricidade o calor produzido pela decomposição radioativa do plutônio. Com o passar do tempo, esse combustível gera menos energia: segundo a NASA, cada sonda perde cerca de quatro watts de potência por ano.

Para prolongar a missão, os engenheiros desligam instrumentos e outros sistemas que já não são essenciais. No quadro de estado dos instrumentos publicado pela NASA, a Voyager 1 continua operando o magnetômetro, que mede campos magnéticos, e o sistema de ondas de plasma, que detecta oscilações no plasma ao redor da sonda. O instrumento de partículas carregadas de baixa energia foi desligado em abril de 2026 para poupar energia; o detector de raios cósmicos já havia sido desligado em 2025.

Na Voyager 2, o detector de raios cósmicos, o magnetômetro e o sistema de ondas de plasma aparecem como operacionais no quadro da NASA. Outros instrumentos foram desligados ao longo dos anos, seja para economizar energia, seja por desgaste ou perda de desempenho.

Em agosto de 2026, a NASA anunciou uma manobra de economia de energia na Voyager 2, apelidada de “Big Bang”. A operação desligou alguns dispositivos e os substituiu por alternativas que consomem menos eletricidade, mantendo a sonda aquecida o bastante para continuar funcionando. A economia deve permitir que seus três instrumentos científicos em operação continuem trabalhando por pelo menos mais um ano. A agência planeja aplicar uma estratégia semelhante à Voyager 1.

Uma conversa com quase dois dias de atraso

A enorme distância também torna a comunicação um desafio. As equipes na Terra enviam comandos por rádio, mas esses sinais viajam à velocidade da luz e levam quase um dia para alcançar a Voyager 1. Depois que a sonda recebe as instruções, executa as tarefas e transmite os dados de volta, a equipe precisa esperar praticamente outro dia para receber a resposta.

Por isso, as Voyager não podem ser controladas como uma espaçonave próxima da Terra. A equipe precisa planejar as operações com antecedência e acompanhar cuidadosamente os sinais recebidos. Mesmo assim, as duas continuam transmitindo informações — uma ligação distante com espaçonaves lançadas quando a exploração espacial ainda estava em seus primeiros anos.

Quase cinco décadas após a partida, as Voyager 1 e 2 seguem avançando para regiões cada vez mais distantes. Seus instrumentos ativos são poucos, a energia disponível diminui e cada comunicação exige paciência. Ainda assim, as medições que continuam enviando oferecem uma oportunidade rara: estudar diretamente o espaço além da bolha criada pelo Sol e acompanhar, em tempo real, a viagem de duas das mais longínquas exploradoras da humanidade.

Fontes:
As comparações com as distâncias Terra–Lua e Terra–Sol foram calculadas a partir das distâncias informadas pela NASA.