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| Concepção artística da sonda Hera durante uma manobra de frenagem. Crédito: ESA – Science Office |
Em uma atualização publicada em 7 de outubro, a ESA informou que a primeira queima prolongada dos propulsores estava prevista para meados do mês, seguida por uma segunda manobra por volta de 22 de outubro. Depois dessas operações, a equipe planejava realizar ajustes menores para aproximar ainda mais a velocidade da sonda da velocidade do sistema Didymos.
Frear no espaço exige precisão
A frenagem não significa que a Hera vai parar. O objetivo é diminuir a diferença de velocidade entre a sonda e os asteroides, permitindo que ela se aproxime e os acompanhe. No espaço, uma manobra desse tipo precisa ser calculada com precisão: um impulso na direção ou no momento errado pode alterar a trajetória prevista.
De acordo com o plano descrito pela ESA, a primeira manobra usaria três propulsores de controle orbital, acionados continuamente por cerca de 93 minutos. Uma segunda queima, prevista para durar aproximadamente 31 minutos, completaria grande parte da mudança de velocidade necessária. Propulsores menores ajudariam a manter a orientação da espaçonave durante as operações.
Após cada queima, as equipes precisam verificar se a nave mudou de velocidade e direção conforme o esperado. Para isso, analisam dados de navegação e sinais enviados pela sonda. A ESA destacou que esse acompanhamento é essencial para confirmar os efeitos das manobras e preparar os comandos seguintes.
Uma viagem iniciada em 2024
A Hera foi lançada em 7 de outubro de 2024, de Cabo Canaveral, na Flórida. Desde então, sua trajetória incluiu manobras no espaço profundo e uma passagem próxima a Marte, realizada na primavera de 2025, que alterou seu percurso e aumentou sua velocidade.
A nave segue em direção a Didymos, um sistema formado por dois asteroides: o maior, Didymos, e seu pequeno satélite natural, Dimorphos. A chegada permitirá que a missão examine de perto o local de um experimento que marcou a história da defesa planetária.
O impacto da missão DART
Em 2022, a missão DART, da NASA, colidiu deliberadamente com Dimorphos. O impacto alterou a órbita do asteroide menor ao redor de Didymos, demonstrando que uma colisão planejada pode modificar o movimento de um corpo celeste. Foi a primeira vez que um objeto do Sistema Solar teve sua trajetória alterada intencionalmente por seres humanos.
A Hera foi enviada para investigar as consequências desse teste de perto. A sonda deverá reunir dados sobre Dimorphos e sobre a resposta do asteroide ao impacto, ajudando cientistas a compreender melhor como esse tipo de intervenção funciona.
Essas informações são importantes para desenvolver estratégias de defesa planetária: caso um asteroide represente uma ameaça à Terra, será necessário conhecer suas características e prever como ele reagiria a uma tentativa de desvio. A missão não está indo interceptar um objeto perigoso; seu objetivo é estudar os resultados do experimento DART e ampliar o conhecimento necessário para avaliar futuras ameaças.
Um passo além do teste de colisão
Enquanto a DART demonstrou que um impacto pode mudar a órbita de um asteroide, a Hera permitirá analisar o resultado com instrumentos próximos ao local. Com as duas missões, cientistas poderão comparar o que foi observado à distância com medições feitas no próprio sistema de asteroides.
As manobras de frenagem previstas para outubro são, portanto, mais do que uma etapa técnica da viagem. Elas fazem parte do caminho para transformar um experimento de impacto em um estudo detalhado — e para aperfeiçoar os conhecimentos que poderão ser usados na proteção da Terra.
Fontes
