Modelos tridimensionais de tecidos cardíacos e neurais foram enviados à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para pesquisas sobre doenças humanas. Os experimentos seguiram a bordo da missão de carga SpaceX CRS-35, lançada em 13 de outubro, e vão aproveitar as condições de microgravidade do laboratório orbital.
Dois estudos investigam tecidos humanos
Um dos experimentos, conduzido por pesquisadores do Cedars-Sinai Medical Center, utiliza esferoides cardíacos vascularizados derivados de células-tronco humanas. Esferoides são pequenos agrupamentos tridimensionais de células; neste caso, eles também contêm redes de vasos sanguíneos. A equipe pretende criar modelos mais avançados de doenças cardiovasculares e estudar como terapias contra o câncer podem afetar o coração.
O outro projeto usa organoides neurais humanos para investigar a neuroinflamação associada a doenças neurodegenerativas, como o Parkinson. Organoides são modelos de laboratório formados por células que reproduzem algumas características de tecidos humanos, mas não são órgãos completos. Os pesquisadores também pretendem avaliar possíveis terapias.
Por que fazer a pesquisa em órbita?
A microgravidade pode favorecer o desenvolvimento de estruturas tridimensionais mais complexas, que ajudam a representar aspectos da biologia humana. Em órbita, as equipes podem estudar como esses modelos celulares se desenvolvem e respondem ao ambiente espacial, complementando pesquisas feitas em laboratórios na Terra.
Os experimentos fazem parte de pesquisas patrocinadas pelo Laboratório Nacional da ISS e incluem projetos selecionados em colaboração com a Divisão de Ciências Biológicas e Físicas da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos).
Data de retorno das amostras não foi confirmada
O comunicado do Laboratório Nacional da ISS informa que experimentos de missões de carga retornam à Terra em cápsulas Dragon, da SpaceX, mas não apresenta uma data de retorno para estas amostras. Portanto, a previsão de novembro de 2026 ainda precisa de confirmação oficial.
Mesmo depois que as amostras voltarem, os resultados científicos não estarão prontos automaticamente: os pesquisadores precisarão analisá-las e comparar os dados com os obtidos em condições terrestres.