Plêiades: o jovem aglomerado de estrelas conhecido como as Sete Irmãs.

A cerca de 440 anos-luz da Terra, as Plêiades formam um dos aglomerados estelares mais bonitos e reconhecíveis do céu noturno. Suas estrelas azuis e a nebulosidade ao redor revelam a história de um sistema ainda jovem em termos cósmicos.

Quando olhamos para as Plêiades, observamos uma pequena concentração de estrelas na constelação de Touro. A olho nu, normalmente é possível identificar seis ou sete estrelas principais, mas o conjunto é muito maior: os estudos indicam a presença de mais de mil estrelas associadas ao aglomerado.

O objeto também é conhecido pelo nome Messier 45, ou simplesmente M45, por fazer parte do famoso catálogo de objetos celestes organizado pelo astrônomo francês Charles Messier.

Um aglomerado aberto.

As Plêiades são um aglomerado estelar aberto. Esse tipo de estrutura é formado por estrelas que nasceram praticamente ao mesmo tempo, a partir da mesma grande nuvem de gás e poeira.
Diferentemente dos aglomerados globulares, que possuem formato mais compacto e podem reunir centenas de milhares de estrelas, os aglomerados abertos são mais espalhados e mantêm uma ligação gravitacional relativamente fraca.
No caso das Plêiades, as estrelas ainda viajam juntas pelo espaço, mas o aglomerado não é uma estrutura permanente. Com o passar de centenas de milhões de anos, a interação gravitacional com outras estrelas e com nuvens de gás deverá dispersar seus membros.
O sistema possui aproximadamente 5 parsecs de extensão, o equivalente a cerca de 16 anos-luz.

Uma estrutura muito jovem.

As Plêiades têm aproximadamente 100 milhões de anos. Para os padrões humanos, esse número parece imenso. Porém, na escala da evolução estelar, trata-se de um aglomerado extremamente jovem.
O Sol, por exemplo, tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Isso significa que as Plêiades se formaram quando a Terra ainda não existia e quando os dinossauros sequer haviam surgido.
A pouca idade do aglomerado ajuda a explicar a presença de várias estrelas quentes, luminosas e azuladas. Muitas das estrelas mais brilhantes pertencem ao tipo espectral B, uma categoria de estrelas muito mais quente e luminosa que o Sol.
Entre as principais estrelas das Plêiades estão:
•Alcione
•Atlas
•Electra
•Maia
•Merope
•Taygeta
•Pleione

Esses nomes estão relacionados à mitologia grega, na qual as Plêiades eram sete irmãs, filhas de Atlas e Pleione.

Por que as estrelas parecem azuis?

A cor azul observada nas Plêiades está relacionada à temperatura de suas estrelas mais brilhantes. Estrelas azuladas emitem uma quantidade maior de radiação em comprimentos de onda associados às temperaturas mais elevadas.
As estrelas mais quentes do aglomerado iluminam a poeira interestelar existente ao redor delas. Essa poeira espalha preferencialmente a luz azul, criando uma aparência delicada e azulada nas fotografias de longa exposição.

Essa formação não é, entretanto, uma nebulosa de emissão como a Nebulosa de Órion. O brilho das Plêiades é principalmente produzido por uma nebulosa de reflexão.
A nebulosidade não é o material que formou as estrelas
Durante muito tempo, os astrônomos imaginaram que a poeira visível ao redor das Plêiades fosse o restante da nuvem original que deu origem às estrelas.

Estudos mais recentes indicam outra possibilidade: O aglomerado estaria atravessando uma região de poeira interestelar que já existia no espaço. A poeira não teria sido necessariamente criada durante a formação das estrelas. Ela apenas está sendo iluminada pela passagem do aglomerado.
As partículas de poeira refletem e espalham a luz das estrelas quentes, produzindo os filamentos azulados que aparecem em imagens astronômicas.

A estrela Merope, em particular, está associada a uma das regiões mais conhecidas da nebulosidade das Plêiades.

A distância ainda foi motivo de debate

A distância das Plêiades parece uma informação simples, mas durante décadas foi motivo de uma importante discussão astronômica.
Medições realizadas pelo satélite europeu Hipparcos, na década de 1990, indicavam que o aglomerado estava cerca de 10% mais próximo da Terra do que estimativas anteriores. Essa diferença era significativa porque alterava o cálculo do brilho real e de outras propriedades das estrelas.

Observações realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble e por outros métodos indicaram uma distância maior, próxima de 440 anos-luz. A NASA apresenta o valor aproximado de 445 anos-luz, enquanto medições independentes colocam o aglomerado em uma faixa entre aproximadamente 434 e 446 anos-luz.
A questão é importante porque as Plêiades funcionam como uma espécie de referência para testar modelos de formação e evolução estelar. Se a distância estivesse errada, várias outras conclusões sobre as estrelas também poderiam ser afetadas.

Como encontrar as Plêiades no céu.

As Plêiades estão na constelação de Touro e são relativamente fáceis de encontrar em locais com pouca poluição luminosa.
Elas aparecem como uma pequena concentração de pontos luminosos, semelhante a uma miniatura de uma “constelação”. Em boas condições, muitas pessoas conseguem identificar seis ou sete estrelas sem instrumentos.
No Brasil, o aglomerado pode ser observado principalmente durante os meses em que Touro está bem posicionado no céu noturno, especialmente entre o fim do ano e o início do outono. A NASA indica dezembro como um dos melhores períodos para observá-lo.

Para localizar as Plêiades:

1.Procure um local afastado de iluminação intensa.
2.Identifique a constelação de Órion.
3.Siga visualmente em direção à região de Touro.
4.Procure uma pequena concentração de estrelas azuladas.
5.Use binóculos para observar muito mais estrelas do que é possível ver a olho nu.

Um telescópio com grande aumento nem sempre é a melhor opção. Como o aglomerado ocupa uma área relativamente ampla do céu, binóculos ou telescópios com baixo aumento costumam oferecer uma visão mais completa.
As Plêiades na história e nas culturas
O aglomerado é conhecido desde a Antiguidade. Sua presença foi registrada por diferentes povos e civilizações, que associaram suas aparições no céu a mudanças sazonais, períodos de plantio e navegação.
Na mitologia grega, as Plêiades eram as sete filhas de Atlas e Pleione. Segundo a tradição, elas foram colocadas no céu após uma série de acontecimentos envolvendo o caçador Órion.

O nome “Sete Irmãs” também aparece em diferentes tradições culturais. A quantidade de estrelas visíveis, porém, depende da acuidade visual do observador, da transparência do céu e da poluição luminosa do local.
Um laboratório para estudar estrelas
Por terem idade semelhante, origem comum e distância relativamente próxima, as Plêiades são um importante laboratório natural para a astronomia.

Ao estudar o aglomerado, os pesquisadores podem investigar:

•Como estrelas jovens evoluem.
•Como a massa influencia a luminosidade.
•Como os campos magnéticos se comportam em estrelas jovens.
•Como surgem e desaparecem discos de poeira ao redor de estrelas.
•Como os aglomerados abertos se dispersam pela galáxia.
•Como os modelos de distância astronômica podem ser testados.

O aglomerado também abriga estrelas anãs marrons, objetos que possuem massa insuficiente para sustentar as reações nucleares típicas de uma estrela como o Sol. Elas são mais difíceis de observar, mas ajudam os astrônomos a compreender o limite entre planetas gigantes e estrelas de baixa massa.

O que vemos hoje aconteceu há 440 anos
A luz das Plêiades leva aproximadamente 440 anos para chegar à Terra. Isso significa que, ao observar o aglomerado hoje, vemos como ele era há cerca de quatro séculos e meio.
Se fosse possível observar a Terra a partir das Plêiades, um observador naquele local estaria vendo acontecimentos ocorridos por volta do século XVI ou início do século XVII em nosso planeta.
Essa defasagem não é um detalhe apenas filosófico. Ela é uma consequência direta da velocidade finita da luz e está presente em todas as observações astronômicas.

Um futuro de dispersão

As Plêiades não permanecerão para sempre com a aparência atual.
As estrelas do aglomerado interagem gravitacionalmente entre si e com o ambiente galáctico. Ao longo do tempo, essas interações podem expulsar algumas estrelas e afastar progressivamente os membros do grupo.
Em centenas de milhões de anos, as Plêiades provavelmente estarão muito mais dispersas. Suas estrelas continuarão existindo, mas já não formarão o conhecido desenho compacto observado no céu.

Conclusão

As Plêiades são muito mais do que um belo grupo de estrelas visível a olho nu. Elas representam um sistema jovem, formado a partir de uma mesma nuvem cósmica e ainda viajando em conjunto pela Via Láctea.
Suas estrelas azuis iluminam poeira interestelar, revelando uma nebulosidade de reflexão que transforma o aglomerado em um dos alvos mais fotografados da astronomia amadora.
A aproximadamente 440 anos-luz da Terra, as Plêiades também funcionam como uma janela para a formação e a evolução das estrelas. Ao observá-las, vemos ao mesmo tempo um registro da história da nossa galáxia e um retrato de um sistema que, em termos cósmicos, ainda está no início de sua existência.

Fontes: •NASA — Messier 45: The Pleiades.
•NASA — Hubble Refines Distance to Pleiades Star Cluster.
•Department of Astrophysics da Universidade de Zurique — Pleiades Star Cluster.
•Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian — How Far are the Pleiades, Really?