Estudo indica que o Sol poderia produzir superflares raras.

 A análise de grandes erupções solares e de uma mancha gigantesca registrada em 1947 sugere que o Sol pode alcançar a faixa de energia de uma superflare. Os pesquisadores ressaltam, porém, que o trabalho não prevê quando isso aconteceria nem com que frequência.

O Sol talvez seja capaz de produzir erupções muito mais energéticas do que as observadas diretamente nas últimas décadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado em setembro de 2026 na revista Philosophical Transactions of the Royal Society A, com participação de pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, e da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Essas erupções extremas são chamadas de superflares. Astrônomos usam esse termo para eventos com energia acima de aproximadamente 10^{34} ergs — uma faixa já observada em algumas estrelas semelhantes ao Sol, mas que nunca foi registrada diretamente em nossa estrela na era das observações espaciais.

Como os pesquisadores chegaram à conclusão

A equipe analisou dados do Observatório de Dinâmica Solar, da NASA, referentes a 300 das mais fortes erupções registradas entre 2010 e 2016. Os pesquisadores compararam a energia liberada por cada evento com o tamanho das regiões ativas em que ele ocorreu. Essas regiões são áreas onde os campos magnéticos do Sol são especialmente intensos e complexos. Elas estão associadas às manchas solares e podem armazenar energia, que é liberada durante uma erupção. A equipe também considerou as chamadas “fitas” de erupção: áreas brilhantes na atmosfera solar que ajudam a estimar a extensão do processo magnético envolvido. Com essa relação estatística, os cientistas calcularam até que nível de energia poderiam chegar erupções ligadas a regiões maiores do que as observadas no período recente. Em seguida, aplicaram o método a registros históricos de manchas solares, que existem há cerca de quatro séculos. 


A mancha solar de 1947

Um caso se destacou: uma enorme mancha observada em abril de 1947. Ela tinha cerca de 40 vezes o diâmetro da Terra e cobria aproximadamente 0,6% do disco visível do Sol. Foi uma das maiores manchas solares registradas sistematicamente. 

O cálculo sugere que uma região ativa desse porte poderia, em condições extremas, produzir uma erupção próxima ao limite inferior da faixa considerada de superflare. Isso não significa que uma superflare tenha ocorrido em 1947. Não há registros que permitam confirmar tal evento; o estudo estima apenas a energia que aquela região poderia, em princípio, ter liberado. Como referência, a erupção associada ao Evento Carrington, em 1859, é estimada em algumas vezes 10^{32} ergs — abaixo do patamar normalmente usado para definir uma superflare. Ainda assim, ela provocou uma tempestade geomagnética intensa, com auroras observadas em latitudes incomuns e problemas em sistemas telegráficos.


Possibilidade não é previsão

Os autores deixam claro que o estudo não calcula a probabilidade de uma superflare nem prevê quando poderia ocorrer. A análise extrapola uma relação observada em erupções modernas para manchas históricas muito grandes, e essa extrapolação tem incertezas. A estimativa também não determina, por si só, se uma erupção produziria uma ejeção de massa coronal ou partículas capazes de atingir a Terra. Erupções solares fortes podem afetar satélites, comunicações e redes elétricas. Mas o estudo não aponta que o Sol esteja prestes a produzir um evento extremo. Sua contribuição é mostrar que, com base nos dados analisados, uma erupção na faixa de energia de uma superflare não pode ser descartada como fisicamente possível.

Fontes: Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar 

· estudo publicado na *Philosophical Transactions of the Royal Society A*