Betelgeuse vai explodir? O que a ciência diz.

A supergigante vermelha de Órion um dia terminará sua vida como supernova, mas as oscilações de brilho e a descoberta de uma estrela companheira não indicam que a explosão seja iminente.
Betelgeuse é uma das estrelas mais conhecidas do céu noturno. Seu brilho avermelhado marca o ombro da constelação de Órion, e seu tamanho extraordinário faz dela um dos objetos estelares mais estudados pelos astrônomos.
 Como é uma supergigante vermelha — uma estrela que já avançou bastante em sua evolução —, ela realmente deverá explodir como supernova no futuro. Isso, porém, não significa que esteja prestes a acontecer.
A NASA estima que a explosão provavelmente ainda esteja a cerca de 100 mil anos de distância. Esse número não é uma contagem regressiva: trata-se de uma estimativa baseada no conhecimento atual sobre a estrela e sua evolução. Os cientistas não conseguem prever uma data exata para a supernova, e o fato de Betelgeuse estar em uma fase avançada de sua vida não permite concluir que ela vá explodir nos próximos dias, meses ou anos.
A NASA estima que ela tenha cerca de 700 vezes o tamanho do Sol. Se fosse colocada no centro do nosso Sistema Solar, suas camadas externas se estenderiam para além da órbita de Júpiter. Outra comparação ajuda a visualizar sua escala: mais de 400 milhões de estrelas do tamanho do Sol caberiam em seu volume.

Por que Betelgeuse varia de brilho?

A estrela é classificada como uma variável semirregular. Isso significa que seu brilho muda com o tempo, seguindo ciclos que não são perfeitamente regulares. Entre as variações observadas estão um ciclo de aproximadamente 400 dias, associado a pulsações da própria estrela, e outro mais longo, de cerca de 2.100 dias.
Essas oscilações ganharam atenção mundial no fim de 2019, quando Betelgeuse ficou muito mais fraca do que o habitual. Em poucos meses, seu brilho aparente diminuiu cerca de 60%. A mudança levou alguns observadores a especular que a estrela poderia estar entrando na fase anterior a uma supernova.

As investigações posteriores apontaram outra explicação. Betelgeuse expeliu uma grande quantidade de material de sua superfície. Ao se afastar e esfriar, parte desse material formou uma nuvem de poeira que bloqueou temporariamente uma parcela da luz da estrela. Em abril de 2020, seu brilho havia voltado ao nível habitual. O episódio, conhecido como “Grande Escurecimento”, foi incomum, mas não demonstrou que a supernova estivesse próxima. A NASA explica o fenômeno e o que se sabe sobre a evolução da estrela.

Uma estrela companheira ajuda a explicar o comportamento.

Observações recentes acrescentaram uma peça importante ao estudo de Betelgeuse: evidências mais fortes de que ela tem uma companheira, chamada Siwarha. Usando o telescópio espacial Hubble e observatórios em solo, uma equipe acompanhou mudanças na luz da supergigante ao longo de quase oito anos e identificou os efeitos da companheira sobre o gás ao redor dela.

Ao atravessar as camadas externas da atmosfera de Betelgeuse, Siwarha deixa atrás de si um rastro de gás mais denso, semelhante à esteira que um barco produz ao se mover pela água. Esse rastro ajuda a explicar parte das mudanças observadas na atmosfera e no brilho da supergigante. A companheira cruza diante de Betelgeuse, do ponto de vista da Terra, em intervalos de aproximadamente seis anos — perto do período de 2.100 dias observado pelos astrônomos.

O resultado não significa que a companheira tenha desencadeado uma explosão ou que a supernova esteja próxima. Ele ajuda a compreender melhor por que Betelgeuse apresenta determinados comportamentos e oferece aos pesquisadores uma oportunidade de observar como estrelas gigantes mudam e perdem material antes de chegar ao fim de suas vidas. A NASA detalha as observações do Hubble e a descoberta da esteira de gás.
Uma explosão futura, mas sem data próxima.

Quando Betelgeuse finalmente explodir, o evento será resultado do estágio final da evolução de uma estrela muito mais massiva que o Sol. Depois da supernova, o material remanescente poderá formar uma estrela de nêutrons ou, dependendo da massa que restar, um buraco negro.
Por enquanto, não há evidência observacional de que a explosão seja iminente. As variações de brilho fazem parte de um comportamento complexo que os cientistas ainda investigam, e a companheira recém-estudada ajuda a explicar parte desse quadro. Betelgeuse continua sendo uma estrela em evolução e certamente oferece surpresas — mas “está prestes a virar supernova” vai além do que os dados permitem afirmar.



NASA — Betelgeuse: características, Grande Escurecimento e estimativa para a supernova
•NASA/Hubble — evidências da estrela companheira Siwarha e da esteira de gás