Missão Marte em 2020

Atualização — outubro de 2026: a missão descrita nesta matéria foi lançada em 2020 e pousou com sucesso na cratera Jezero em fevereiro de 2021. Desde então, o rover Perseverance explora a região e coleta amostras. Uma delas contém sinais considerados uma possível bioassinatura, mas isso ainda não comprova a existência de vida em Marte. A data e o título originais foram mantidos.

Em 2019, a NASA escolheu a cratera Jezero como local de pouso da missão Mars 2020. A região foi selecionada após anos de estudos de dezenas de locais candidatos, por reunir características geológicas importantes para investigar a história antiga de Marte.

Representação da cratera Jezero em Marte

Jezero tem cerca de 45 quilômetros de diâmetro e abriga os vestígios de um antigo delta de rio. Bilhões de anos atrás, água e sedimentos fluíram para a cratera, que pode ter sido um lago. Argilas, carbonatos e outras rochas preservadas na região oferecem pistas sobre o ambiente marciano do passado e podem conservar sinais químicos de processos antigos.

Da previsão ao pouso em Marte

A missão foi lançada em 30 de julho de 2020. O rover Perseverance pousou em Jezero em 18 de fevereiro de 2021, usando um sistema de navegação que comparou imagens do terreno durante a descida para evitar áreas perigosas. O veículo foi enviado para estudar a geologia local, procurar sinais de condições que poderiam ter favorecido vida microbiana no passado e coletar amostras de rochas e solo.

Imagem orbital da região da cratera Jezero em Marte

O Perseverance continua investigando a região e armazenando amostras para análises futuras. Entre elas está uma amostra coletada em 2024 de uma rocha apelidada de “Cheyava Falls”, no antigo vale fluvial Neretva Vallis. A amostra recebeu o nome de “Sapphire Canyon”.

Uma possível bioassinatura, não uma prova de vida

Em 2025, a NASA informou que a amostra contém características consideradas possíveis bioassinaturas — sinais que poderiam ter origem biológica, mas que também precisam ser avaliados diante de explicações não biológicas. A agência ressaltou que são necessárias mais análises antes de qualquer conclusão sobre a presença ou ausência de vida antiga em Marte.

Os instrumentos do rover identificaram na região rochas sedimentares com argila e silte, além de compostos como carbono orgânico, enxofre, ferro oxidado e fósforo. Na Terra, ambientes com algumas dessas características podem preservar vestígios de vida passada, mas encontrar esses materiais em Marte, por si só, não demonstra que organismos tenham existido ali.

O retorno das amostras ainda não tem data

Quando a missão foi planejada, NASA e Agência Espacial Europeia estudavam uma campanha futura para buscar as amostras e trazê-las à Terra, onde laboratórios poderiam examiná-las com instrumentos muito mais completos do que os levados por um rover.

O plano de retorno mudou desde então. Em janeiro de 2026, a revista científica Nature informou que a missão de retorno de amostras da NASA não seguiria adiante na forma originalmente prevista. Até esta atualização, não há uma data confirmada para trazer as amostras de Jezero à Terra.

Assim, o Perseverance já cumpriu a etapa de chegar ao delta antigo e coletar material científico, mas a análise completa de algumas das amostras mais importantes ainda depende de futuras decisões sobre como — e quando — elas poderão ser recuperadas.

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