Júpiter em detalhes by Sonda Juno

As nuvens de Júpiter formam faixas, redemoinhos e tempestades que se estendem por regiões imensas da atmosfera do planeta. Uma imagem registrada pela sonda Juno durante sua nona aproximação próxima de Júpiter mostra essas estruturas de um ângulo incomum: em vez de observar o planeta à distância, a câmera passou perto do topo das nuvens e registrou detalhes de uma área do hemisfério norte.

Nuvens de Júpiter em tons azulados, registradas pela sonda Juno
Imagem colorizada das nuvens no hemisfério norte de Júpiter. Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Gerald Eichstädt/Seán Doran.

Um registro feito de perto

A imagem foi capturada em 24 de outubro de 2017. Naquele momento, a Juno estava a aproximadamente 18.906 quilômetros do topo das nuvens jupiterianas, na latitude de 57,57 graus norte. A escala espacial é de 12,5 quilômetros por pixel — ou seja, cada pixel representa uma área dessa dimensão na região observada.

Essa distância ajuda a explicar por que a imagem revela detalhes que se perdem em fotografias feitas de muito mais longe. Ainda assim, ela mostra apenas uma área limitada do planeta. Não é um retrato global da atmosfera, mas um recorte obtido durante uma passagem específica da sonda.

Júpiter é um gigante gasoso, sem uma superfície sólida como a da Terra. Por isso, a altitude indicada para a sonda é medida em relação ao topo das nuvens, e não a partir de um solo. As formações observadas pertencem a uma atmosfera profunda e dinâmica, composta por camadas de nuvens e gases em movimento.

As sombras destacam a estrutura das nuvens

Um dos detalhes mais importantes da imagem aparece nas sombras. O ângulo entre o Sol, Júpiter e a sonda permitiu que nuvens situadas em níveis mais altos projetassem sombras sobre as áreas próximas. O efeito é perceptível sobretudo nas regiões mais claras e em pontos isolados na parte inferior e à direita da imagem.

Essas sombras ajudam a perceber diferenças de altura entre as formações atmosféricas e dão relevo a estruturas que poderiam parecer apenas manchas em uma imagem plana. Elas não mostram montanhas ou crateras: são pistas visuais sobre a organização das nuvens acima do interior gasoso do planeta.

A observação também tem limites. Uma única imagem não permite determinar, por si só, a composição química das nuvens nem explicar como uma tempestade se formou ou evoluiu. Para isso, os pesquisadores precisam comparar imagens obtidas em diferentes momentos e combinar esses registros com outros dados coletados pela missão.

Cores realçadas e participação do público

Os tons azulados vistos na imagem resultam de um processamento que realça as cores e os contrastes. Portanto, eles não devem ser tomados como uma reprodução exata da aparência de Júpiter a olho nu. A técnica torna mais visíveis algumas diferenças entre as nuvens e facilita a análise de suas formas e sombras.

A imagem foi processada pelos cientistas cidadãos Gerald Eichstädt e Seán Doran com dados da JunoCam, a câmera de luz visível da sonda. A equipe da missão disponibiliza imagens brutas da câmera para que o público possa examiná-las e criar novas visualizações. Esse trabalho aproxima a divulgação científica dos próprios dados usados para estudar o planeta.

A Juno foi lançada em 2011 e chegou à órbita de Júpiter em 4 de julho de 2016. Desde então, a missão observa o planeta com câmeras e instrumentos científicos. A JunoCam foi concebida para registrar as nuvens de Júpiter e também para envolver o público na exploração e no processamento das imagens.

Fontes: NASA/JPL — Jupiter Blues; NASA Science — missão Juno.