O Brasil rumo à Estação Espacial Internacional

Nota de atualização — outubro de 2026: o experimento anunciado para a Estação Espacial Internacional teve desdobramentos concretos. O registro do Student Spaceflight Experiments Program (SSEP) lista um experimento de São Paulo sobre o uso de “plástico verde” para melhorar as propriedades do cimento no espaço. Ele foi ativado na estação em 3 de julho de 2018 e retornou à Terra com a cápsula Dragon, que pousou em agosto.

A Agência FAPESP informou em 2018 que a edição daquele ano era a segunda participação da Missão Garatéa no programa e que uma experiência de estudantes brasileiros já havia sido enviada ao espaço em 2017. Portanto, as participações de 2017 e 2018 devem ser entendidas como etapas diferentes.

A Garatéa-L, mencionada na matéria, era outro projeto: uma proposta de missão lunar, distinta do experimento educacional Garatéa-ISS. O lançamento em 2021 era uma meta divulgada em 2017, não uma data a ser tomada como cronograma atual.

A proposta anunciada em 2017

Em julho de 2017, a Missão Garatéa apresentou uma iniciativa para que estudantes brasileiros desenvolvessem experimentos científicos destinados à Estação Espacial Internacional (ISS). O projeto, chamado Garatéa-ISS, estava ligado ao Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), um programa educacional coordenado pelo National Center for Earth and Space Science Education (NCESSE) e seus parceiros. A NASA participava da operação da carga por meio de um acordo com o programa.

Na proposta apresentada naquele ano, a organização estimava envolver cerca de 450 estudantes do sétimo ano, de escolas públicas e privadas. As equipes deveriam formular experimentos simples e viáveis para serem realizados em microgravidade, com apoio de pesquisadores brasileiros de áreas como astronomia, biologia, física e química.

O Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, ofereceu salas, laboratórios e professores para ajudar no planejamento da iniciativa. Os organizadores também buscavam ampliar a participação de estudantes da rede pública e oferecer formação para professores. Na época, o projeto foi apresentado como uma iniciativa sem financiamento público, que procurava apoio da iniciativa privada.

Lucas Fonseca, diretor da Missão Garatéa no Brasil, afirmou que o projeto poderia inspirar jovens a seguir carreiras ligadas à ciência e ao setor espacial. A pesquisadora Amanda Bendia, do Instituto Oceanográfico da USP, destacou que os estudantes teriam contato com as etapas de desenvolvimento de uma pesquisa, desde a elaboração de uma pergunta até a criação de um experimento compatível com as condições da ISS.

O experimento que chegou à estação

O registro de operações da Missão 12 do SSEP confirma que um experimento de São Paulo sobre a adição de “plástico verde” para melhorar as propriedades do cimento integrou a carga enviada à estação. Ele foi ativado em órbita em 3 de julho de 2018. A cápsula Dragon retornou com a carga em agosto; o registro do programa informa que os experimentos foram processados e enviados de volta às comunidades participantes.

Assim, o anúncio de 2017 marcou uma das etapas da participação brasileira no SSEP. A Missão Garatéa-ISS teve mais de uma edição: a FAPESP descreveu a iniciativa de 2018 como a segunda participação e registrou a experiência brasileira enviada ao espaço em 2017.

Garatéa-L: uma proposta separada

A matéria original também mencionava a Garatéa-L, uma proposta de missão brasileira à órbita lunar. Em 2017, o projeto era divulgado com uma meta de lançamento para 2021. Essa previsão pertence ao contexto daquele anúncio e não deve ser confundida com o voo do experimento educacional Garatéa-ISS nem apresentada como uma data atual.

Fontes