A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA, na sigla em inglês) informou que a missão SunRISE não será lançada antes de meados de 2027. O novo cronograma foi divulgado em 6 de outubro. A missão vai estudar emissões de rádio ligadas a partículas energéticas liberadas pelo Sol e pode ajudar a melhorar a previsão de eventos capazes de afetar equipamentos e astronautas no espaço
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| Crédito/NASA |
SunRISE é a sigla de Sun Radio Interferometer Space Experiment, nome que pode ser traduzido como Experimento Espacial de Interferometria de Rádio Solar. A missão de heliofísica — área que estuda o Sol e sua influência no espaço — será composta por seis pequenos satélites. Em vez de trabalharem isoladamente, eles vão combinar suas observações para funcionar como um único radiotelescópio de grandes dimensões.
Seis satélites formarão um observatório
Cada satélite tem aproximadamente o tamanho de um pequeno forno. Juntos, eles observarão ondas de rádio originadas na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. A combinação dos sinais captados por diferentes pontos permitirá aos cientistas estudar essas emissões e acompanhar sua origem com mais precisão do que seria possível com um único equipamento pequeno.
Apesar de ser uma missão dedicada ao Sol, a SunRISE não vai mergulhar na atmosfera solar. Os satélites permanecerão em órbita da Terra, um pouco acima da órbita geoestacionária, a cerca de 35 mil quilômetros de altitude. A partir dali, funcionarão como um observatório distribuído, voltado para detectar sinais de rádio que vêm da atividade solar.
Por que observar ondas de rádio?
Alguns eventos solares aceleram partículas que deixam o Sol e viajam pelo espaço. Esse fluxo pode produzir emissões de rádio na coroa solar. Como as ondas de rádio chegam à Terra antes das partículas energéticas, observá-las pode fornecer pistas antecipadas sobre a atividade que está a caminho e ajudar os pesquisadores a compreender melhor como esses eventos se desenvolvem.
Essa informação é importante porque episódios intensos de partículas solares podem danificar satélites e representar riscos para astronautas. Se os cientistas conseguirem acompanhar melhor a origem e o movimento das emissões, poderão aprimorar as previsões e ajudar equipes na Terra a se preparar para reduzir os impactos. A missão não elimina os riscos, mas deverá acrescentar novas observações aos modelos usados para estudar o clima espacial.
O objetivo da SunRISE não é apenas registrar que ocorreu uma emissão. Ao combinar medições feitas pelos seis satélites, os pesquisadores esperam investigar a distribuição das ondas de rádio e entender melhor os processos que aceleram partículas na atmosfera solar. Assim, a missão poderá contribuir para explicar como a atividade do Sol se propaga pelo espaço e afeta o ambiente próximo da Terra.
Preparação para o lançamento
Os seis satélites já concluíram a montagem e os testes no Laboratório de Dinâmica Espacial da Universidade Estadual de Utah, nos Estados Unidos. Eles permanecerão armazenados até serem enviados à Flórida, pouco antes do lançamento. A NASA planeja levá-los ao espaço em um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, como parte de um lançamento compartilhado com uma carga do Comando de Sistemas Espaciais da Força Espacial dos Estados Unidos.
A investigação científica é liderada pela Universidade de Michigan, enquanto o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL, na sigla em inglês) gerencia o projeto. A agência informa que o lançamento ocorrerá não antes de meados de 2027; por enquanto, não há uma data exata anunciada.
Quando entrar em operação, a SunRISE acrescentará uma nova forma de observar o Sol: em vez de depender de um único observatório, usará vários satélites trabalhando em conjunto. Os dados obtidos poderão ajudar a ampliar o conhecimento sobre as emissões solares e a aperfeiçoar a compreensão dos fenômenos que influenciam o clima espacial.
Fontes: NASA Science — atualização sobre a missão SunRISE; NASA Jet Propulsion Laboratory.
