Haven-1: estação espacial privada mira a era pós-ISS e amplia parceria com a Europa

A estação espacial Haven-1 ainda não chegou à órbita, mas já está no centro de planos para o futuro da presença humana no espaço. Em outubro de 2026, a empresa americana Vast e a Agência Espacial Europeia (ESA) ampliaram sua cooperação e iniciaram um estudo sobre oportunidades de pesquisa e participação europeia nas futuras estações Haven. O acordo põe em evidência o papel previsto para a Haven-1: testar uma estrutura comercial compacta que poderá servir de etapa inicial para projetos maiores em órbita baixa.
Ilustração da estação Haven-1 e de uma cápsula Crew Dragon em aproximação, com a Terra ao fundo
Ilustração da Haven-1 e de uma cápsula Dragon em aproximação. Crédito: Vast.

Uma estação de um único módulo

A Haven-1 está sendo desenvolvida pela Vast como uma estação orbital de módulo único. A empresa planeja lançá-la em um foguete Falcon 9, da SpaceX, sem tripulação a bordo. Depois de chegar à órbita, a estação deverá passar por verificações de seus sistemas antes de receber astronautas em uma missão separada, transportados por uma cápsula Crew Dragon.

O guia técnico publicado pela Vast informa que a estação foi projetada para operar em uma órbita circular a cerca de 425 quilômetros de altitude, com inclinação de 51,6 graus em relação ao equador. O projeto prevê acomodar até quatro tripulantes e suportar estadias de até 40 dias. Para as missões tripuladas descritas no guia, porém, a duração prevista é de aproximadamente dez dias.

Antes da chegada da primeira tripulação, a Vast prevê cerca de 45 dias de verificações e operações autônomas. Nesse período, experimentos instalados a bordo poderão começar a funcionar sem a presença de astronautas. A estação foi planejada para oferecer energia, transmissão de dados e controle térmico a equipamentos de pesquisa em microgravidade.

O que muda com a parceria europeia

O memorando de entendimento entre a ESA e a Vast terá duração inicial de três anos e prevê, como primeiro passo, um estudo conjunto sobre oportunidades europeias de pesquisa e utilização das estações Haven. A intenção é produzir um roteiro para uma possível cooperação futura. O documento também considera possibilidades de colaboração em voos tripulados, ciência e tecnologia, mas não equivale, por si só, a uma contratação de serviços ou a um compromisso de participação europeia em todas as missões.

Há, contudo, planos de voos específicos relacionados à parceria. A Vast afirma que já trabalha com a ESA em missões envolvendo a Estação Espacial Internacional e a Haven-1, com operações tripuladas planejadas para 2027. Em um acordo separado com a França, o astronauta Arnaud Prost foi confirmado para uma missão à Haven-1.

A aproximação ocorre enquanto governos e empresas avaliam como manter pesquisas e atividades humanas em órbita baixa quando a Estação Espacial Internacional (ISS) encerrar suas operações. A cooperação internacional foi uma das marcas da ISS; o memorando indica que a ESA quer estudar opções para preservar oportunidades de voo e pesquisa europeias nesse cenário futuro.

Um passo de teste, não uma substituta da ISS

A Haven-1 não deve ser confundida com uma substituta direta da ISS. A estação internacional é um complexo muito maior, construído ao longo de décadas e mantido por várias agências espaciais. A Haven-1 será uma instalação menor, com duração orbital projetada de três anos e missões tripuladas curtas. Seu papel inicial é demonstrar operações, receber experimentos e testar tecnologias e serviços comerciais em órbita.

A Vast descreve a Haven-1 como a primeira etapa de um plano gradual. Antes dela, a empresa operou a Haven Demo, uma plataforma de testes em órbita que, segundo a companhia, completou 49 objetivos durante uma missão de três meses e foi retirada de órbita de forma controlada em fevereiro de 2026. A Haven-2, ainda em desenvolvimento, é apresentada pela Vast como uma futura estação modular capaz de apoiar presença humana contínua.

O cronograma da Haven-1 continua sendo uma previsão. Em janeiro de 2026, a Vast informou que trabalhava para deixá-la pronta para lançamento no primeiro trimestre de 2027. O guia técnico publicado em abril usa uma formulação mais cautelosa — lançamento não antes de 2027 — e o anúncio de cooperação com a ESA também situa as operações tripuladas em 2027, sem fixar uma data exata. Como ocorre com projetos espaciais complexos, a programação dependerá da integração, dos testes e da validação dos sistemas.

Se cumprir seus objetivos, a Haven-1 poderá ajudar a mostrar como estações privadas podem receber astronautas e experimentos depois da ISS. Mas o avanço de uma nova era comercial não depende apenas de colocar um módulo em órbita: também será necessário demonstrar segurança, confiabilidade, demanda por pesquisas e capacidade de manter operações sustentáveis. Para conhecer outra estação orbital abordada pelo Space News Pb, leia também sobre a estação chinesa Tiangong.

Fontes consultadas: