Sistema com dois sóis pode abrigar planeta do tamanho da Terra

Um sistema estelar a cerca de 16,6 anos-luz da Terra pode oferecer condições para a existência de um planeta rochoso em uma região onde a água líquida seria possível. O sistema 70 Ophiuchi é formado por duas estrelas, mas ainda não há nenhum planeta confirmado ao seu redor.

A conclusão vem de uma pesquisa publicada no periódico The Astrophysical Journal. Os cientistas combinaram novas medições e dados acumulados ao longo de décadas para compreender melhor o movimento das estrelas e avaliar se um planeta poderia manter uma órbita estável nesse ambiente.

Duas estrelas, mas não necessariamente um planeta orbitando ambas

Localizado a aproximadamente 5,1 parsecs — cerca de 16,6 anos-luz —, 70 Ophiuchi é um sistema binário. Sua estrela principal tem cerca de 88% da massa do Sol, enquanto a companheira tem aproximadamente 73%. Portanto, são estrelas um pouco menores e menos massivas que a nossa.

O cenário investigado pelos pesquisadores não é o de um planeta girando em torno das duas estrelas ao mesmo tempo. A possibilidade considerada é a de um planeta orbitando a estrela principal, 70 Ophiuchi A, enquanto a segunda estrela exerce influência gravitacional à distância. Esse tipo de órbita pode ser afetado pela presença da companheira, que em alguns sistemas desestabiliza os planetas.

Órbitas estáveis na zona habitável

Para testar o sistema, a equipe analisou as interações gravitacionais entre as estrelas e simulou o comportamento de planetas em diferentes órbitas. Os resultados indicam que uma órbita estável pode existir ao redor de 70 Ophiuchi A dentro da zona habitável — a faixa de distância na qual a temperatura poderia permitir água líquida na superfície de um planeta, dependendo de outras condições.

Os cálculos mostram que as órbitas estáveis ao redor da estrela principal se estendem até aproximadamente 2,5 unidades astronômicas, região que inclui a zona habitável. Assim, um planeta com massa semelhante à da Terra poderia, em princípio, permanecer ali sem ser lançado para longe pela gravidade da segunda estrela.

Nenhum planeta foi detectado

Apesar da possibilidade, o estudo não anuncia a descoberta de um novo mundo. Os pesquisadores não identificaram sinais consistentes de planetas orbitando nenhuma das duas estrelas. O trabalho mostra que certas órbitas poderiam ser estáveis e estabelece limites para quais planetas as observações atuais seriam capazes de detectar.

Isso significa que ainda não se sabe se existe um planeta em 70 Ophiuchi, muito menos se ele tem atmosfera, água ou condições favoráveis à vida. A zona habitável indica apenas uma faixa de temperatura potencialmente compatível com água líquida; não é uma confirmação de que um planeta habitável esteja presente.

Por ser relativamente próximo e ter sido observado por muito tempo, o sistema pode ser um alvo interessante para futuras buscas por exoplanetas. O estudo ajuda a orientar essas observações e mostra que a presença de dois sóis não elimina automaticamente a possibilidade de mundos em órbitas estáveis.


Fontes:
“A Century of Radial-velocity and Astrometric Monitoring of 70 Oph AB”, publicado no The Astrophysical Journal.
Universidade da Califórnia em Riverside — “An Earth-like planet with two suns?”.