Participação brasileira ajudará telescópio gigante a investigar as origens do Universo

No alto do deserto do Atacama, no Chile, está sendo construído um dos maiores e mais avançados telescópios da história da astronomia. O Telescópio Gigante de Magalhães, conhecido pela sigla GMT, terá participação direta do Brasil em seu desenvolvimento tecnológico e científico.
O projeto está sendo instalado no Observatório de Las Campanas, uma das regiões mais favoráveis do planeta para observações astronômicas. O local possui céu escuro, baixa umidade e pouca interferência da iluminação das cidades.

Um gigante formado por sete espelhos
Quando estiver concluído, o GMT terá um espelho principal com 25,4 metros de diâmetro. Essa estrutura será formada por sete segmentos circulares, cada um com 8,4 metros, organizados em formato semelhante a uma flor.

De acordo com informações divulgadas pela Universidade de São Paulo, o telescópio poderá ser cerca de 200 vezes mais potente do que os melhores telescópios atuais e produzir imagens com até dez vezes mais nitidez que o Telescópio Espacial James Webb, dependendo do tipo de observação realizada.

A enorme capacidade de coleta de luz permitirá observar objetos extremamente distantes e pouco luminosos, incluindo estrelas, galáxias e planetas localizados a milhares ou até bilhões de anos-luz da Terra.

                Participação brasileira

A presença do Brasil no projeto ocorre principalmente por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP, que é membro-fundadora do consórcio responsável pelo GMT desde 2014.

O investimento brasileiro garantiu também tempo de observação para pesquisadores do estado de São Paulo. Atualmente, mais de 70 profissionais participam das atividades do escritório GMT Brasil, entre professores, engenheiros, técnicos, consultores e bolsistas.
Também fazem parte da colaboração pesquisadores da USP, da Unicamp, do Instituto Mauá de Tecnologia, da Universidade do Vale do Paraíba e de outras instituições.

A contribuição brasileira não se limita ao financiamento. Cientistas e engenheiros do país participam do desenvolvimento de instrumentos que serão utilizados pelo telescópio.

Entre eles estão:

•GMACS, um espectrógrafo para observar diversos objetos ao mesmo tempo.
•G-CLEF, instrumento capaz de analisar a composição e o movimento de estrelas.
•MANIFEST, sistema robótico para posicionamento de fibras ópticas.
•Exposure Meter, responsável por auxiliar no controle das exposições.
•AOTC e ComCam, sistemas de câmeras usados no controle e na avaliação da qualidade das imagens.

Uma janela para o passado cósmico
Observar o Universo distante é, na prática, observar o passado. Isso acontece porque a luz leva tempo para viajar pelo espaço. A luz de uma galáxia localizada a bilhões de anos-luz, por exemplo, pode ter iniciado sua viagem antes mesmo da formação da Terra.
Com sua grande capacidade de observação, o GMT poderá estudar algumas das primeiras galáxias formadas no Universo e ajudar os astrônomos a entender como elas evoluíram ao longo do tempo.

O telescópio também será utilizado para investigar a formação de estrelas, analisar a composição de exoplanetas e procurar possíveis sinais relacionados à vida fora do Sistema Solar.
Além disso, os pesquisadores esperam obter novas informações sobre a matéria escura e a energia escura, dois dos maiores mistérios da cosmologia moderna.
A previsão é que o Telescópio Gigante de Magalhães comece a operar no início da década de 2030. O equipamento foi projetado para funcionar por mais de 50 anos, atravessando várias gerações de pesquisadores.
Até lá, equipes de diferentes países continuarão trabalhando na construção da estrutura, na fabricação dos espelhos e no desenvolvimento dos instrumentos científicos.

A participação brasileira no GMT mostra que o país não está apenas acompanhando a nova era da astronomia, mas também ajudando a construir os equipamentos que poderão revelar detalhes inéditos sobre a origem e a evolução do Universo.

Fontes: Jornal da USP, Agência FAPESP e NOIRLab.