O estudo foi divulgado pela NASA em 22 de junho de 2026. Os pesquisadores analisaram a composição química do cometa usando o instrumento NIRSpec, enquanto o objeto se afastava do Sol, após sua passagem mais próxima pela nossa estrela.
Uma composição diferente
Os dados revelaram que o 3I/ATLAS possui uma quantidade excepcionalmente alta de deutério, uma forma pesada do hidrogênio. A concentração encontrada é cerca de 30 vezes maior do que a observada em cometas originados no Sistema Solar.
O telescópio também identificou proporções incomuns entre diferentes tipos de carbono. A presença relativamente baixa de carbono-13 reforça a hipótese de que o cometa se formou em uma época muito antiga da história da Via Láctea.
Segundo os cientistas, o 3I/ATLAS provavelmente nasceu em uma região extremamente fria e densa, onde seus materiais permaneceram congelados por bilhões de anos.
Uma janela para outro sistema planetário
O nome 3I/ATLAS significa que ele é o terceiro cometa interestelar confirmado. A sigla ATLAS faz referência ao sistema de observação que identificou o objeto.
Diferentemente dos cometas comuns, que nasceram ao redor do Sol, o 3I/ATLAS se formou em outro sistema planetário e passou a viajar pelo espaço interestelar antes de entrar no Sistema Solar.
“Temos uma oportunidade única de estudar um objeto antigo de uma época e de um lugar muito distantes”, explicou Martin Cordiner, astroquímico da NASA e um dos responsáveis pelo estudo.
A análise indica que o cometa pode ter se formado durante o chamado “meio-dia cósmico”, período em que a formação de estrelas atingia seu auge no Universo.
Um visitante de outra época do Universo
O Sistema Solar tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Se as estimativas estiverem corretas, o 3I/ATLAS pode ser mais que o dobro dessa idade.
Isso transforma o cometa em uma verdadeira cápsula do tempo. Sua composição pode ajudar os astrônomos a entender como eram os sistemas planetários formados muito antes do nascimento do Sol.
Além disso, estudar objetos interestelares permite comparar a história do nosso sistema planetário com a de outros mundos espalhados pela galáxia.
As observações do James Webb não apenas confirmam a origem incomum do 3I/ATLAS, mas também mostram que os cometas de outros sistemas podem apresentar características químicas muito diferentes das encontradas nos cometas conhecidos do Sistema Solar.