Uma breve explosão de raios gama, com duração de cerca de 0,4 segundo, foi seguida por uma emissão de raios X suaves que persistiu por aproximadamente 560 segundos. Os dados revelam uma fase prolongada de atividade após o evento; a possibilidade de formação de um magnetar é uma interpretação, ainda não uma confirmação.
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| Ilustração artística |
Astrônomos observaram uma emissão de raios X que continuou por quase dez minutos após uma explosão de raios gama extremamente breve. O episódio, identificado como EP250704a em raios X e GRB 250704B em raios gama, oferece novas pistas sobre o que acontece depois da fusão de objetos compactos, como estrelas de nêutrons.
O sinal de raios gama durou cerca de 0,4 segundo. Já a emissão posterior de raios X suaves persistiu por aproximadamente 560 segundos — cerca de nove minutos e vinte segundos. O evento foi observado pelo Einstein Probe, em conjunto com o Space Variable Objects Monitor (SVOM) e o telescópio Insight-HXMT.
Uma etapa que podia passar despercebida
Explosões curtas de raios gama são associadas a eventos de alta energia, entre eles a fusão de objetos compactos. Mas, em muitas observações, os telescópios de raios X só apontam para a região depois que um detector identifica a explosão gama. Quando isso acontece, parte da emissão inicial em raios X pode já ter terminado.
O Einstein Probe tem uma vantagem importante: acompanha continuamente uma grande área do céu em raios X suaves. Neste caso, conseguiu observar o evento desde o início e registrar episódios de emissão que continuaram depois de o clarão gama desaparecer. Os raios X detectados tinham energia entre 0,5 e 4 quiloelétron-volts.
A duração e as mudanças rápidas no sinal sugerem que o objeto formado pelo evento continuou liberando energia. Segundo os pesquisadores, o comportamento observado não se encaixa facilmente no quadro mais simples de um breve clarão seguido apenas pelo brilho remanescente convencional da explosão.
Um magnetar é uma possibilidade
Uma das explicações consideradas é que o remanescente tenha sido um magnetar: uma estrela de nêutrons em rotação rápida e com campo magnético extremamente intenso. Um objeto desse tipo poderia continuar alimentando a emissão de raios X após o evento.
Isso, porém, ainda não significa que um magnetar tenha sido confirmado. Os dados mostram a emissão prolongada; a natureza exata do objeto responsável por alimentá-la continua sendo interpretada pelos pesquisadores. Portanto, a formação de um magnetar deve ser apresentada como uma hipótese possível, não como uma conclusão definitiva.
Por que a observação importa
O resultado ajuda a revelar uma fase de emissão em raios X que pode ter passado despercebida em explosões semelhantes. Os autores propõem que essa atividade prolongada talvez seja comum em eventos ligados à fusão de objetos compactos. Se futuras observações confirmarem essa ideia, a emissão poderá servir como uma pista para localizar e estudar eventos associados a ondas gravitacionais.
O estudo foi publicado na revista Science Bulletin. A descoberta mostra como observações contínuas em raios X suaves podem complementar os alertas de raios gama e revelar detalhes da atividade que se segue a uma explosão cósmica.
Fontes
