Brasil lança foguete com laboratório de microgravidade no Rio Grande do Norte

Nota de atualização — outubro de 2026: a Operação Potiguar 2 foi concluída em 15 de setembro de 2026. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o teste do sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) foi bem-sucedido. O voo atingiu 92 quilômetros de altitude, durou cerca de 12 minutos e 30 segundos, e a plataforma foi recuperada no mar. A matéria original foi publicada no dia do lançamento, antes de o resultado ser conhecido.

Em 15 de setembro de 2026, o foguete de sondagem VS-30 V16 decolou do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. A bordo estava a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R), desenvolvida para levar experimentos científicos a voos suborbitais e permitir que a carga seja recuperada depois.

O voo alcançou 92 quilômetros de altitude e durou aproximadamente 12 minutos e 30 segundos. Embora a PSM-R tenha sido desenvolvida para transportar experimentos a altitudes superiores a 100 quilômetros, esse foi o apogeu registrado nesta missão. Por isso, é importante distinguir a capacidade prevista para a plataforma do resultado deste voo específico.

O objetivo principal da Operação Potiguar 2 era testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação por paraquedas. Após a descida, a plataforma caiu no mar e foi resgatada por equipes da FAB. O Esquadrão Falcão apoiou a operação aérea, enquanto militares do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento participaram da recuperação no mar.

Experimentos em microgravidade

A carga da missão levou quatro experimentos científicos. A Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a plataforma tem capacidade para transportar até 50 kg de experimentos. Com a recuperação física do equipamento, as equipes podem analisar a carga após o voo, além dos dados registrados por telemetria.

A microgravidade não significa que a gravidade desapareça nem que ela seja muito menor simplesmente por causa da altitude. Durante trechos do voo suborbital, a plataforma e os experimentos ficam em queda livre, criando condições de aparente ausência de peso por alguns minutos. Isso permite estudar fenômenos físicos, químicos e biológicos de forma diferente daquela observada em laboratórios na superfície terrestre.

Pesquisas em microgravidade podem contribuir para áreas como o desenvolvimento de materiais, o estudo de processos de combustão, a cristalização de moléculas, a produção de medicamentos e a agricultura espacial. O que cada voo pode investigar depende dos experimentos embarcados e dos dados obtidos.

Um passo para ampliar a capacidade nacional

O sucesso do teste de recuperação permite avaliar o desempenho da PSM-R e orientar o desenvolvimento de futuras missões. Uma plataforma recuperável pode facilitar a análise de amostras e ampliar as oportunidades para universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras participarem de experimentos suborbitais.

A missão integrou a Operação Potiguar 2, iniciada em 31 de agosto e concluída com o lançamento de 15 de setembro. Segundo a FAB, os dados obtidos serão usados para avaliar o sistema e apoiar futuras atividades de pesquisa em microgravidade. O G1 informou que a recuperação marcou a primeira vez que uma plataforma brasileira foi resgatada para análise após um voo real.

Fontes