Nota de atualização — outubro de 2026: as variações de brilho de Betelgeuse não indicam que a estrela esteja prestes a explodir. Em janeiro de 2026, a NASA divulgou novas observações do Hubble que revelam evidências da companheira Siwarha e de sua influência na atmosfera da supergigante. Para uma explicação atualizada sobre a estrela e a supernova, leia também esta matéria.
Betelgeuse é uma supergigante vermelha na constelação de Órion. Ela deverá terminar sua vida como supernova, mas isso não significa que a explosão esteja próxima. As mudanças de brilho observadas pelos astrônomos fazem parte do comportamento complexo da estrela e não funcionam como uma contagem regressiva.
Uma estrela enorme e variável
Localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra, Betelgeuse está entre as estrelas cujo tamanho e atmosfera podem ser estudados diretamente. A NASA estima que mais de 400 milhões de estrelas do tamanho do Sol caberiam no volume da supergigante. Medidas de distância e tamanho estelar têm incertezas, por isso valores exatos podem variar entre estudos.
Betelgeuse varia de brilho em ciclos diferentes. Um deles, de aproximadamente 400 dias, está associado a pulsações da própria estrela. Outro, mais longo, dura cerca de 2.100 dias e passou a ser relacionado à influência de uma estrela companheira.
O Grande Escurecimento de 2019
No fim de 2019 e no início de 2020, Betelgeuse perdeu uma parcela significativa de seu brilho aparente. Observações do Hubble indicaram que a estrela havia expelido material quente. Ao se afastar e esfriar, parte desse material formou uma nuvem de poeira que bloqueou temporariamente uma região de sua luz. Em abril de 2020, o brilho havia voltado ao nível habitual.
O episódio, conhecido como Grande Escurecimento, não foi uma evidência de que a estrela estivesse prestes a explodir. Ele mostrou que Betelgeuse pode expelir material e sofrer mudanças importantes em sua atmosfera.
A companheira Siwarha
Em janeiro de 2026, a NASA relatou que observações do Hubble e de telescópios em solo encontraram evidências diretas da companheira de Betelgeuse, chamada Siwarha. Ao atravessar a extensa atmosfera da supergigante, a companheira deixa um rastro de gás mais denso, que ajuda a explicar algumas mudanças observadas na luz e na atmosfera da estrela.
As observações indicam que Siwarha passa à frente de Betelgeuse, vista da Terra, aproximadamente a cada seis anos — intervalo próximo do ciclo longo de 2.100 dias. Essa descoberta ajuda os pesquisadores a compreender o comportamento da supergigante, mas não indica que uma explosão esteja próxima.
Quando Betelgeuse vai explodir?
Os astrônomos esperam que Betelgeuse termine sua evolução como supernova, mas não conseguem prever uma data exata. O estágio avançado da estrela e suas variações de brilho, por si sós, não permitem concluir que a explosão ocorrerá em breve. O momento dependerá de processos internos que não podem ser acompanhados como um relógio.
Até lá, Betelgeuse continuará sendo um laboratório natural para estudar como estrelas massivas mudam, perdem material e evoluem. As novas observações da companheira ampliam esse conhecimento, mas não alteram a conclusão principal: não há evidência de que a supernova seja iminente.
Fontes:
NASA/Hubble — explicação para o Grande Escurecimento de Betelgeuse
NASA/Hubble — evidências da companheira Siwarha e de seu rastro de gás, 2026
Space News Pb — Betelgeuse vai explodir? O que a ciência diz