A poeira lunar é um desafio para astronautas e equipamentos: suas partículas finas podem aderir a superfícies e prejudicar instrumentos. Para ajudar a monitorar a qualidade do ar em habitats de exploração, a empresa Lunar Outpost desenvolveu o sensor Space Canary como colaboradora de um projeto do programa NextSTEP, uma parceria entre a NASA e a indústria.
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| Durante a Apollo 17, o traje do astronauta Gene Cernan ficou coberto de poeira lunar. Imagem: NASA |
Da poeira lunar ao monitoramento do ar
Nas missões Apollo, a poeira lunar aderiu aos trajes e equipamentos. O astronauta Harrison Schmitt, da Apollo 17, relatou espirros, olhos lacrimejantes e dor de garganta após respirar partículas levadas para dentro do módulo. Ele descreveu a reação como “febre do feno lunar”.
O Space Canary foi desenvolvido para detectar e medir a presença de partículas de solo lunar no ar de um habitat, além de monitorar contaminantes. A Lunar Outpost forneceu o sensor para a Lockheed Martin, que o integrou a um protótipo de habitat projetado para futuras missões em órbita lunar. Era um protótipo de desenvolvimento, não uma estação já instalada na órbita da Lua.
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| Sensor Space Canary integrado a um protótipo de habitat da Lockheed Martin. Imagem: NASA/Lockheed Martin. |
Uma versão terrestre
Adaptado para uso na Terra e rebatizado Canary-S, o sensor passou a monitorar a qualidade do ar e condições meteorológicas. A unidade usa energia solar e bateria e transmite dados por conexão celular. Entre os poluentes que pode acompanhar estão partículas em suspensão, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre e compostos orgânicos voláteis.
Segundo a NASA, o Serviço Florestal dos Estados Unidos utiliza sensores Canary-S para monitorar emissões de incêndios florestais. As medições podem revelar quando e onde a concentração de monóxido de carbono está elevada e ajudar a emitir alertas para que bombeiros adotem precauções. O sensor não remove a poluição: ele fornece dados para monitorá-la e orientar respostas.
A experiência mostra como uma tecnologia desenvolvida para apoiar a exploração espacial pode ganhar aplicações terrestres. Nesse caso, a adaptação permite acompanhar poluentes e emissões de incêndios, enquanto o sensor original foi concebido para monitorar o ambiente dentro de habitats espaciais.
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