Tecnologias da NASA para combater a poeira lunar são aproveitadas aqui na Terra

Atualização — outubro de 2026: esta matéria foi publicada originalmente em maio de 2021. O texto foi revisado para esclarecer como o sensor Space Canary foi desenvolvido, distinguir um protótipo de habitat de uma estrutura em operação no espaço e atualizar a descrição do Canary-S. A data original de publicação foi mantida.

A poeira lunar é um desafio para astronautas e equipamentos: suas partículas finas podem aderir a superfícies e prejudicar instrumentos. Para ajudar a monitorar a qualidade do ar em habitats de exploração, a empresa Lunar Outpost desenvolveu o sensor Space Canary como colaboradora de um projeto do programa NextSTEP, uma parceria entre a NASA e a indústria.

Astronauta da Apollo 17 com poeira lunar no traje
Durante a Apollo 17, o traje do astronauta Gene Cernan ficou coberto de poeira lunar. Imagem: NASA
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Da poeira lunar ao monitoramento do ar

Nas missões Apollo, a poeira lunar aderiu aos trajes e equipamentos. O astronauta Harrison Schmitt, da Apollo 17, relatou espirros, olhos lacrimejantes e dor de garganta após respirar partículas levadas para dentro do módulo. Ele descreveu a reação como “febre do feno lunar”.

O Space Canary foi desenvolvido para detectar e medir a presença de partículas de solo lunar no ar de um habitat, além de monitorar contaminantes. A Lunar Outpost forneceu o sensor para a Lockheed Martin, que o integrou a um protótipo de habitat projetado para futuras missões em órbita lunar. Era um protótipo de desenvolvimento, não uma estação já instalada na órbita da Lua.

Sensor Space Canary em protótipo de habitat desenvolvido pela Lockheed Martin
Sensor Space Canary integrado a um protótipo de habitat da Lockheed Martin. Imagem: NASA/Lockheed Martin.

Uma versão terrestre

Adaptado para uso na Terra e rebatizado Canary-S, o sensor passou a monitorar a qualidade do ar e condições meteorológicas. A unidade usa energia solar e bateria e transmite dados por conexão celular. Entre os poluentes que pode acompanhar estão partículas em suspensão, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre e compostos orgânicos voláteis.

Segundo a NASA, o Serviço Florestal dos Estados Unidos utiliza sensores Canary-S para monitorar emissões de incêndios florestais. As medições podem revelar quando e onde a concentração de monóxido de carbono está elevada e ajudar a emitir alertas para que bombeiros adotem precauções. O sensor não remove a poluição: ele fornece dados para monitorá-la e orientar respostas.

Sensor Canary-S usado para monitoramento da qualidade do ar
O Canary-S foi adaptado para monitorar a qualidade do ar na Terra. Imagem: NASA/Lunar Outpost.

A experiência mostra como uma tecnologia desenvolvida para apoiar a exploração espacial pode ganhar aplicações terrestres. Nesse caso, a adaptação permite acompanhar poluentes e emissões de incêndios, enquanto o sensor original foi concebido para monitorar o ambiente dentro de habitats espaciais.

Fontes: