O lado oculto da Lua pode oferecer um ambiente valioso para a radioastronomia. A própria Lua ajuda a bloquear parte das interferências de rádio produzidas pela Terra, enquanto a ausência de uma atmosfera lunar evita alguns dos obstáculos que dificultam observações de baixas frequências feitas a partir do nosso planeta.
Em 2021, duas ideias para futuros observatórios lunares estavam sendo estudadas: o Lunar Crater Radio Telescope (LCRT) e o Farside Array for Radio Science Investigations of the Dark Ages and Exoplanets (FARSIDE). Eram propostas de pesquisa, não telescópios já aprovados para construção ou com lançamento marcado.
Duas propostas para observar o universo
O LCRT foi pensado como uma grande antena de malha instalada dentro de uma cratera no lado oculto da Lua. Robôs poderiam estender a estrutura pelo interior da cratera. O objetivo seria captar ondas de rádio de comprimento muito longo, que poderiam trazer informações sobre as chamadas “idades das trevas” do universo — o período entre a formação dos primeiros átomos e o nascimento das primeiras estrelas.
A NASA selecionou o conceito do LCRT para uma segunda fase do programa NIAC, voltado a ideias tecnológicas avançadas em estágio inicial, concedendo recursos para novos estudos. A própria agência esclareceu que o projeto ainda não era uma missão da NASA.
O FARSIDE era outra proposta: uma rede de antenas de baixa frequência espalhadas por uma ampla área do lado oculto lunar. Os dados poderiam ajudar a estudar o universo primordial e outros fenômenos astronômicos. Assim como o LCRT, tratava-se de um conceito em estudo, não de um observatório cuja instalação já estivesse aprovada.
“Lado oculto” é uma forma mais precisa de falar do hemisfério que não vemos da Terra. Ele não fica permanentemente escuro: recebe luz do Sol durante o dia lunar. Seu interesse para a radioastronomia está, entre outros fatores, no bloqueio de parte das transmissões de rádio terrestres.
Um instrumento chegou à Lua
Em fevereiro de 2024, o instrumento ROLSES-1 viajou a bordo do módulo lunar Odysseus, da Intuitive Machines, e chegou à superfície da Lua. Ele não era o LCRT nem o FARSIDE: tratava-se de um conjunto compacto de antenas e equipamentos científicos para observar ondas de rádio e estudar o ambiente próximo à superfície lunar.
O ROLSES-1 conseguiu coletar uma quantidade limitada de dados — incluindo observações durante cerca de dois dias na superfície. A análise identificou transmissões de rádio produzidas na Terra que atravessaram a ionosfera, além de permitir medições do fundo de rádio galáctico em baixas frequências. Essas transmissões terrestres, às vezes chamadas de “tecnossinais”, não são sinais de civilizações extraterrestres.
Portanto, houve um primeiro instrumento de radioastronomia da NASA operando na superfície lunar, mas isso não significa que os grandes observatórios LCRT e FARSIDE tenham sido construídos. As duas propostas continuam sendo distintas desse experimento e não têm, nas fontes citadas, uma data anunciada de instalação.
Você pode ler também a matéria anterior sobre a proposta do Lunar Crater Radio Telescope.
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