Nota de atualização — outubro de 2026: a sonda Europa Clipper foi lançada em 14 de outubro de 2024 e deve chegar ao sistema de Júpiter em 2030. As plumas de Europa continuam sendo investigadas: um estudo de 2020 modelou uma possível erupção de salmoura perto da superfície, mas não demonstrou que plumas sejam alimentadas diretamente pelo oceano subterrâneo.
Europa, uma das grandes luas de Júpiter, tem uma crosta gelada e fortes indícios de um oceano salgado sob a superfície. Por isso, é considerada um dos lugares do Sistema Solar de interesse para estudar condições que poderiam favorecer a vida. Até hoje, porém, não há confirmação de vida em Europa.
Observações do telescópio espacial Hubble e análises de dados de outras missões levantaram a possibilidade de que vapor d’água escape ocasionalmente da superfície. Essas possíveis plumas ainda são difíceis de caracterizar: não se sabe com segurança quando ocorrem, de onde vêm nem se estão ligadas ao oceano global.
Uma possível origem perto da superfície
Um estudo publicado em 2020 investigou a cratera Manannán, em Europa. Os pesquisadores propuseram que o impacto que formou a cratera poderia ter derretido parte do gelo. Bolsões de água salgada teriam migrado dentro da crosta e, ao congelar, poderiam aumentar a pressão e provocar uma erupção criovulcânica.
O modelo relaciona esse processo a uma feição de aspecto semelhante a uma aranha observada na região. A interpretação é compatível com uma possível erupção local, mas não prova que o fenômeno tenha acontecido exatamente dessa forma. Também não demonstra que a água tenha vindo do oceano subterrâneo global.
Esse tipo de estudo ajuda a investigar como a crosta de Europa pode se comportar e quais processos poderiam transportar água ou salmoura até perto da superfície. Distinguir uma reserva local de água de uma conexão com o oceano é importante para avaliar a habitabilidade da lua.
O que a Europa Clipper vai investigar
A Europa Clipper, da NASA, foi lançada em outubro de 2024 e tem chegada prevista ao sistema de Júpiter em 2030. A espaçonave fará dezenas de sobrevoos de Europa para estudar a crosta, a composição e as condições abaixo da superfície, buscando entender se existem ambientes que poderiam sustentar vida.
A missão não é uma busca direta por organismos. Ela vai avaliar a habitabilidade de Europa e reunir dados sobre sua estrutura e atividade. Caso uma pluma esteja ativa durante algum sobrevoo, a sonda poderá investigá-la; isso, porém, não é garantido.
Fontes:
Geophysical Research Letters — estudo sobre migração de salmoura e criovulcanismo em Europa
NASA — exploração de Júpiter e missão Europa Clipper
NASA/JPL — possíveis plumas de vapor d’água observadas pelo Hubble