Em 2020, pesquisadores reanalisaram dados do radar MARSIS, a bordo da sonda Mars Express, e identificaram sinais que interpretaram como possíveis reservatórios de água líquida sob o polo sul de Marte. Os dados ampliaram os indícios apresentados em 2018, mas não constituíram uma observação direta nem uma confirmação definitiva de lagos.
Agora, a equipe italiana publicou um novo artigo na Nature Astronomy, no dia 28 de setembro, com novos dados da Mars Express — mais precisamente, um radar a bordo da nave chamado MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionospheric Sounding). Desta vez, eles analisaram um conjunto de dados muito maior que no estudo anterior, e encontrou sinais ainda mais interessantes.
Com uma nova abordagem, eles conseguiram aplicar técnicas usadas por satélites que orbitam a Terra para obter imagens das características geológicas subterrâneas de Marte. Além do brilho da região onde a salmoura foi detectada, eles conseguiram também medir a variação da intensidade do sinal, obtendo assim dados sobre a suavidade da superfície refletora. O método parece confiável, já que foi deste modo que se descobriu lagos subglaciais na Antártica, na Groenlândia e no Ártico canadense.
Uma das perguntas que devem ser investigadas agora é como o solo aqueceu o suficiente para derreter o gelo, já que Marte não é um mundo muito ativo em termos geológicos. Seja como for, Marte já foi bem mais quente e úmido, com água líquida em sua superfície, então é possível que a nova descoberta mostre aos cientistas lugares ideais para se buscar evidências de vida antiga no Planeta Vermelho.
Nota de atualização — setembro de 2026: Esta matéria foi revisada para esclarecer que o estudo publicado em 2020 não observou diretamente lagos em Marte. Os pesquisadores interpretaram reflexos de radar obtidos pela sonda Mars Express como possíveis corpos de água sob o polo sul do planeta. A existência e a natureza desses reservatórios continuam em debate, pois estudos posteriores indicaram que materiais secos também poderiam explicar parte dos sinais. Confira o estudo original e a análise posterior publicada em 2025 pela Geophysical Research Letters.


