A Lua ainda apresenta sinais de atividade geológica

Atualização — outubro de 2026

Um estudo publicado em 2025 acrescentou novas evidências de atividade tectônica recente na Lua. Os pesquisadores fizeram um mapeamento global de pequenas cristas nos mares lunares e identificaram 1.114 novos segmentos no lado próximo da Lua, elevando para 2.634 o total catalogado. A idade média estimada dessas cristas é de cerca de 124 milhões de anos — recente em termos geológicos.

As cristas parecem estar ligadas à contração da crosta enquanto o interior lunar esfria. Elas também podem ser fontes de abalos lunares, embora o estudo não demonstre que todas estejam se movendo agora nem que um abalo tenha ocorrido em cada local mapeado.

A NASA confirma que a Lua registra abalos lunares e considera provável que ela ainda esteja encolhendo lentamente. Isso indica que a Lua não é geologicamente inerte, mas não significa que tenha placas tectônicas como as da Terra.

Em 2020, pesquisadores identificaram estreitas cordilheiras e pontos de rocha exposta nos mares lunares. A distribuição dessas formações sugeriu que forças tectônicas moldaram partes da superfície da Lua e que alguns processos geológicos podem ter continuado em tempos relativamente recentes.

Como as estruturas foram identificadas

A maior parte da superfície lunar é coberta por regolito, uma camada de fragmentos e poeira formada por impactos ao longo de bilhões de anos. Onde o regolito é fino ou está ausente, o embasamento rochoso pode ficar exposto — mas essas áreas são difíceis de identificar e tendem a ser recobertas com o tempo.

O estudo de 2020 usou dados do instrumento Diviner, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). Como rochas expostas retêm calor de modo diferente do regolito durante a noite lunar, as medições térmicas ajudaram os pesquisadores a localizar mais de 500 áreas de embasamento exposto alinhadas em cristas estreitas.

Essa associação apontou para uma relação entre as cristas, falhas e estruturas subterrâneas da crosta. A interpretação proposta na época foi que movimentos e fraturas poderiam expor a rocha antes que ela fosse novamente coberta pelo regolito. Porém, a observação dessas áreas não equivale, por si só, a registrar o movimento de uma falha acontecendo naquele momento.

Um mapa mais amplo das cristas lunares

O levantamento publicado em 2025 examinou pequenas cristas nos mares lunares — as grandes planícies escuras formadas por antigas lavas. A equipe catalogou 1.114 novos segmentos no lado próximo da Lua e calculou uma idade média estimada de aproximadamente 124 milhões de anos para essas formações. Em escala geológica, elas estão entre as estruturas mais jovens conhecidas na superfície lunar.

Os autores relacionam essas cristas às forças que comprimem e deformam a crosta. Uma explicação compatível com as observações é a contração lenta da Lua à medida que ela perde calor. A NASA também aponta que a Lua provavelmente continua encolhendo: ao se contrair, sua crosta pode se fraturar e formar falhas e escarpas.

O grande impacto que formou a Bacia Aitken do Polo Sul, há bilhões de anos, foi proposto como possível origem de fraturas e zonas enfraquecidas na crosta lunar. Essa hipótese não deve ser confundida com uma demonstração de que o impacto causou todas as cristas atuais ou de que essas estruturas estejam necessariamente se movendo hoje.

A Lua tem atividade, mas não como a Terra

A Lua não possui placas tectônicas como as da Terra. Ainda assim, sismômetros instalados pelas missões Apollo registraram abalos lunares de diferentes tipos. Alguns estão associados à atração gravitacional da Terra; outros podem resultar de impactos, de variações extremas de temperatura na superfície ou da contração da Lua enquanto esfria.

As cristas mapeadas nos mares lunares ampliam a lista de estruturas que podem ajudar os cientistas a investigar a história tectônica e sísmica do satélite. Elas também são relevantes para o planejamento de futuras missões, porque a atividade sísmica precisa ser considerada na escolha de locais de exploração.

Portanto, dizer que a Lua está “ativa” significa que ainda apresenta sinais de mudanças geológicas e abalos — não que seja um mundo com vulcões ativos ou placas tectônicas iguais às da Terra. As novas observações reforçam que a história geológica lunar é mais complexa do que a ideia de um corpo completamente morto.

Fontes: